Gostava que esta fotografia tivesse o título: "Janela verde e branca com mulher no canto" ou talvez "A mulher que sonhava ser janela"... É que, por vezes, o espaço de refexão que proporciona o quarto de onde espreitamos da janela não se faz suficientemente propício para nos evadirmos profundamente e nos concretizarmos, nós mesmos, nessa caixilharia pesada e puída, nesse objecto geométrico e colorido de onde se estende o olhar para o outro.
Querer não-ser. Desejo a partir do qual começa um grande sonho do nós que se lembra dos sonhos dos outros a passar defronte da casa como um comboio.
Querer não-ser, nem que para isso seja condição o desencontro eterno com o nosso ser, apenas fechando os olhos, apenas pressentindo uma alma diferente, uma janela verde e branca com muito tempo.
