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segunda-feira, 3 de maio de 2010

DOZE NAUS - MANUEL ALEGRE

A Cor do Vento
Quando o horizonte se fecha
o azul converte-se em cinzento
e o próprio mar fica da cor
do vento

Crepúsculo
Sozinho frente ao mar
busco outro sol no
sol que vai ao fundo

E há uma voz a chamar
do outro lado do mundo.

in Doze Naus, Dom Quixote


domingo, 21 de março de 2010

Se tanto me dói que as coisas passem - Sophia de Mello Breyner Andresen


Se tanto me dói que as coisas passem

É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen


Uma sugestão do Hélder "neste dia de palavras belas":

Não te Arruínes, Alma, Enriquece


Centro da minha terra pecadora,
alma gasta da própria rebeldia,
porque tremes lá dentro se por fora
vais caiando as paredes de alegria?
Para quê tanto luxo na morada
arruinada, arrendada a curto prazo?
Herdam de ti os vermes? Na jornada
do corpo te consomes ao acaso?
Não te arruínes, alma, enriquece:
vende as horas de escória e desperdício
e compra a eternidade que mereces,
sem piedade do servo ao teu serviço.
Devora a Morte e o que de nós terá,
que morta a Morte nada morrerá.


William Shakespeare, in "Sonetos"
Tradução de Carlos de Oliveira