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domingo, 17 de janeiro de 2010

Eric Rohmer

A propósito da morte de Eric Rohmer, o canal 2 exibiu ontem à noite, em homenagem ao realizador, dois filmes. Só tive oportunidade de ver o primeiro filme, A minha noite com Maude, mas apreciei o existencialismo imposto à história. De facto, trata-se de um filme que se desenrola em torno da problemática do amor ou amores e insere-se numa série de 6 filmes sob a temática comum de contos morais. Os diálogos são profundos e filosóficos, como convém ao cinema da Nouvelle Vague.A este propósito deixo um dos diálogos do filme mais difíceis de interpretar e em que os personagens se debruçam sobre o pensamento de Blaise Pascal, que para além de cristão era matemático. O filme assume que a vida pode ser perspectivada tendo por base o triângulo de Pascal, implicitamente representando os triângulos amorosos, e que essa existência é dolorosa e triste. A esse propósito transcrevo uma frase que gostei e retive:

"Os jansenistas são tristes".

Eric Rohmer foi pioneiro da nouvelle vague

Cineasta que morreu na segunda-feira, aos 89 anos, deixou legado de filmes autorais, de caráter intimista, sempre focado em relações amorosas e com forte viés filosófico A morte do cineasta francês Eric Rohmer, na segunda-feira, em Paris, aos 89 anos, encerra um importante capítulo da história do cinema.Nascido Jean-Marie Maurice Schérer em 21 de março de 1920, em Tulle (França), Rohmer foi um dos maiores nomes do cinema e figura central da nouvelle vague – “nova onda”, movimento do final dos anos 1950 criado por jovens críticos como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut (1932-84) que questionava o cinema clássico francês.Rohmer era conhecido por seu estilo intimista, com filmes sobre desencontros amorosos que colocavam a palavra no centro da ação cinematográfica. Seus diálogos tomavam a forma de divagações filosóficas. Em artigo publicado em sua edição eletrônica, o jornal Le Monde classificou a obra de Rohmer como uma “concepção muito francesa da arte”.“Clássico e romântico, inteligente e iconoclasta, leve e sério, sentimental e moralista, ele criou o ‘estilo Rohmer’, que sobreviverá a ele”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nota oficial, acrescentando que Rohmer foi um “grande autor, que continuará dialogando conosco e nos inspirando por anos e anos”.– Cada um de seus filmes era um jogo compartilhado, com regras próprias, em que cada ator fazia sua parte – disse Serge Toubiana, diretor da Cinemateca Francesa.Camus e Renoir foram influências.

Rohmer venceu o Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra no Festival de Veneza, em 2001, e foi indicado ao mesmo prêmio pelo filme Os Amores de Astrée e Céladon em 2007, ainda inédito no Brasil. O diretor foi indicado uma vez ao Oscar, por melhor roteiro, em 1971, por Minha Noite com Ela. Venceu também o Urso de Prata, no Festival de Berlim, pelo filme A Colecionadora, em 1967.Em texto publicado segunda-feira, o Le Monde lembra ainda sua “sutileza espiritual, seu gosto pela impertinência e pela liberdade”, classificando o diretor como “representante do cânone do cinema francês” e, ao mesmo tempo, um “clássico contrariado”. Antes de se dedicar à direção de filmes, Rohmer foi crítico de cinema e comandou a revista Cahiers du Cinéma de 1957 a 1963. Rohmer era considerado o mais conservador do grupo. Nas críticas que escreveu, defendia o cinema clássico de Hollywood e foi um dos primeiros a reconhecer a importância do britânico Alfred Hitchcock.–Há em todos os meus filmes algo que não é leve – afirmou Rohmer em entrevista de 2007.Cita entre suas influências o norte-americano Howard Hawks, o francês Jean Renoir e o italiano Roberto Rossellini. Na literatura, enumera entre seus preferidos o escocês Robert Louis Stevenson e o norte-americano Herman Melville. Lembra-se também de O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, livro que inspirou sua ideia de um “presente no passado”.– É um pretérito simples, só que no presente. Não marca a continuidade da ação, mas o momento da ação – disse.Rohmer tem três principais ciclos: os Contos Morais; Comédias e Provérbios (ambos com seis filmes cada um); e Contos das Quatro Estações.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dicionário técnico-literário dos Bloom Books – 38

PALAVRAS CRUZADAS EM TELA, paulo Barreiro


Para ti,Pat, e retirado do sítio:
http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=1648

[14-01-2010] | Gonçalo M. Tavares
Solidificar – Método inimigo da literatura Bloom. Solidificar é imobilizar. Pelo contrário: derreter e evaporar.Tornar toda a matéria do texto inagarrável.
Construir o indíce-de-agarrabilidade de uma frase tal como pode existir o indíce de agarrabilidade de um objecto (objecto com pega/objecto sem pega).

É evidente que uma chávena de chá com pega se agarra mais facilmente.

É evidente também que uma frase não deverá ter uma pega de modo a que alguém a agarre com uma única mão.

As frases da literatura Bloom não têm pegas para preguiçosos. Ou se agarra a frase com as duas mãos ou a frase cai.

Para agarrares em certos objectos necessitas das duas mãos e de toda a tua atenção. Eis uma frase Bloom.

Festa do Livro

Festa do Livro - Onde o Livro é uma festa!
Local - FUNDAÇÃO DR. ANTÓNIO CUPERTINO DE MIRANDA
Data – 7 a 28 de Janeiro
Horário – segunda a sexta das 13 às 20 horas | Sábados e Domingos das 10 às 20 horas

A Festa do livro em números
- 800 m2 de área de exposição
- Editoras nacionais e estrangeiras – presentes mais de 150
- Visitantes esperados - 50 000
- Títulos - Mais de 100 mil
- Exemplares disponíveis - mais de 500 mil
- Preços - Livros desde 1,00€ sendo o preço médio dos livros em exposição de 5,00€.

Contextualização da ideia
Este evento pretende exactamente evitar que os livros tenham como destino final a guilhotina e permitir que o grande público tenha uma última oportunidade de os adquirir a um preço simbólico antes da destruição anunciada.

Programação de actividades paralelas
Desta festa faz parte um leque de iniciativas tais como: Concertos, apresentação de Livros e Sessões de Autógrafos.

9 de Janeiro
16 horas - Sessão de autógrafos com Júlio Magalhães.
17 horas – Teatro Musical da Academia de Música de Vilar do Paraíso.

16 de Janeiro
Coro de Vozes Brancas e Coro Juvenil da Academia de Música de Vilar de Paraíso.

23 de Janeiro
11h30 – Coro Infantil da Academia de Música de Vilar de Paraíso.
- Apresentação do Livro “PORTO PORTO” de João Pedro Mésseder e Helena Veloso.
- Contadores de Histórias – João Petiz

Dia 28
18 horas - Tiago Manuel apresenta Tom Maccay, Tim Morris e Max Tilmann seguido de Sessão de Autógrafos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ondjaki e Max Richter


Devaneio por entre a poesia de Ondjaki que sabiamente me ofereceste e acompanha essa minha leitura a música de Max Richter. Como pude estar cega durante tanto tempo? Como pude desconhecer este compositor? Obrigada amiguinha por não me manteres na ignorância!
Para ti, lindíssima amiga, uma música linda de Max R. a acompanhar a chuva que cai e o poema que teima em ficar... do meu Ondjaki...










SEM TRÉMULOS BARULHARES, A CHUVA


convidei uma chuva silenciosa
a fazer aparição num poema.

[tive que pedir licença ao assobiador. ele acedeu].
era uma chuva quase triste,
vivia consumida de se esvair.
"chego sem fazer barulho pra ninguém
se lembrar de me evitar".
era uma chuva quase bonita.
tinha muita tendência poética
-isto me parecia óbvio.
tinha também alguma incapacidade para entender
o desejo humano
de pisar um chão seco.
depois de o assobiador eixar aquela aldeia
calculei que ninguém mais fosse acariciar
aquela chuva.
era uma chuva carente
-isso me pareceu óbvio também.
lhe atribui este lar provisório
e logo se verá
o daqui pra frente.
isso me espanta nas coisas
que não pertencem ao foro das pessoas:
a chuva aceitou ficar.
vive actualmente
na leitura [mesmo que desatenta]
de um poema.

o barulhar dessa chuva
é uma espécie de pequena mentira.

dizem que as crianças lhe conseguem escutar.
dizem que os gambozinos lhe pressentem
e nela, por vezes,
se deixam vislumbrar.

dizem.


Ondjaki, Materias para confecção de um espanador de tristezas

domingo, 3 de janeiro de 2010

A entrevista de Eduardo Lourenço ao JL

Amiguinha, gostei bastante desta última edição do JL que pede a diversas personalidade portuguesas uma opinião sobre o que de melhor se pasoou nesta década que agora findou (2000-2009).
Destaco em primeiríssimo lugar a entrevista que foi feita ao sábio Eduardo Lourenço que me surpreende sempre! Vou deixar aqui algumas palavras saborosas que retive da entrevista a propósito do seu próprio balanço:




"O HOMEM É O VÍRUS DO COSMOS"


"NINGUÉM PODE EXISTIR SENÃO EM FUNÇÃO DESSA CRENÇA, DO POSITIVO SENÃO A HUMANIDADE SUICIDAR-SE-IA. VIVEMOS EM FUNÇÃO DESSA IDEIA DE QUE O AMANHÃ É MELHOR DO QUE O HOJE. MAS ESSA É UMA HISTÓRIA DE LOUCOS, CONTADA POR LOUCOS. NÃO MELHORÁMOS"
(a propósito da frase de Nietzche: A alegria é mais profunda do que o que eu penso à noite)

La última entrevista a García Lorca

Li uma notícia que achei particularmente curiosa, sobre a última entrevista que García Lorca deu antes de ser fusilado.  http://www.laopinioncoruna.es/cultura/2010/01/03/ultima-entrevista-garcia-lorca/347503.html

Decido transcreve-la e partilhá-la contigo, amiguinha....


..............................

Dos meses antes de su muerte, el escritor confesaba sus inquietudes al ilustrador Bagaría: "Execro al hombre que se sacrifica por una idea nacionalista sólo porque ama a su patria con una venda en los ojos"
El 10 de junio de 1936, en las páginas del diario'El Sol' se publicaba el resultado de un encuentro entre dos de las personalidades más populares de la cultura de la España republicana: el bohemio periodista y caricaturista Luis Bagaría y Federico García Lorca. Bajo el título de 'Diálogo con García Lorca', el texto ha pasado a la posteridad como la última entrevista realizada al poeta, si bien hay que aclarar que el texto -recuperado en el libro 'Caricaturas republicanas' editado por Rey Lear-, reproduce más bien un intercambio de impresiones en el que ambos personajes se preguntan el uno al otro acerca de cuestiones diversas

 SALVADOR RODRÍGUEZ (INTRODUCCIÓN Y TRASNCRIPCCIÓN)
A CORUÑA Al paso de los años, aquella entrevista ha ido adquiriendo un valor insospechado. No debemos olvidar que tan sólo un mes y ocho días después de su publicación estallaba la Guerra Civil: el 19 de agosto de 1936 Federico García Lorca era asesinado y, para evitar que le ocurriese lo mismo, a Luis Bagaría no le quedaría otra salida que emprender el camino del exilio, primero a París y después a La Habana, donde falleció en 1940.

Obviando las preguntas que Lorca también efectuó a su amigo (comprobará el lector que el estilo dista mucho de lo que hoy pudiera considerarse lenguaje periodístico), a continuación transcribimos un extracto de las más interesantes opiniones y reflexiones vertidas por el malogrado literato en aquel diálogo entre camaradas celebrado y difundido a poco más de dos meses de la muerte del dramaturgo y poeta granadino:



-Luis Bagaría: ¿Crees tú, poeta, en el arte por el arte, o, en caso contrario, el arte debe ponerse al servicio de un pueblo para llorar cuando él llora y reír cuando este pueblo ríe?

-García Lorca: Este concepto del arte por el arte es una cosa que sería cruel si no fuera, afortunadamente, cursi. Ningún hombre verdadero cree ya en esta zarandaja del arte puro. En este momento dramático del mundo, el artista debe llorar y reír con su pueblo. Hay que dejar el ramo de azucenas y meterse en el fango hasta la cintura para ayudar a los que buscan las azucenas. Particularmente, yo tengo un ansia verdadera por comunicarme con los demás. Por eso llamé a las puertas del teatro y el teatro consagró toda mi sensibilidad.


-L.B.: ¿Crees tú que al engendrar la poesía se produce un acercamiento hacia un futuro más allá, o al contrario, hace que se alejen más los sueños de otra vida?                                



-G.L.: La creación poética es un misterio indescifrable, como el misterio del nacimiento del hombre. Se oyen voces no se sabe dónde, y es inútil preocuparse de dónde vienen. Como no me he preocupado de nacer, no me preocupo de morir. Escucho a la naturaleza y al hombre con asombro, y copio lo que me enseñan sin pedantería y sin dar a las cosas un sentido que no sé si lo tienen. Ni el poeta ni nadie tiene la clave del mundo. Quiero ser bueno. Sé que la poesía eleva, y siendo bueno con el asno y con el filósofo, creo firmemente que si hay un más allá tendré la agradable sorpresa de encontrarme con él. Pero el dolor del hombre y la injusticia constante que mana del mundo, y mi propio cuerpo y mi propio pensamiento, me evitan trasladar mi casa a las estrellas.



-L.B. : ¿No crees, poeta, que sólo la felicidad radica en la niebla de una borrachera, borrachera de labios de mujer, de vino, de bello paisaje, y que al ser coleccionista de momentos de intensidad se crean momentos de eternidad, aunque la eternidad no existiera y tuviera que aprender de nosotros?



-G.L.:Yo no sé en qué consiste la felicidad. Si voy a creer al texto que estudié en el Instituto, del inefable catedrático Ortí y Lara, la felicidad no se puede hallar más que en el cielo; pero si el hombre se ha inventado la eternidad, creo que hay en el mundo hechos y cosas que son dignos de ella, y por su belleza y trascendencia, modelos absolutos para un orden permanente.



-L.B.: ¿No crees que tenía más razón Calderón de la Barca cuando decía 'Pues el delito mayor/del hombre es habr nacido' que el optimismo de Muñoz Seca?



-G.L.: El optimismo es propio de las almas que tienen una sola dimensión: de las que no ven el torrente de lágrimas que nos rodea, producido por cosas que tienen remedio.

-L.B.: ¿No crees Federico, que la patria no es nada, que las fronteras están llamadas a desaparecer? ¿Por qué un español malo tiene que ser más hermano nuestro que un chino bueno?



-G. L.: Yo soy español integral, y me sería imposible vivir fuera de mis límites geográficos; odio al que es español por ser español nada más. Yo soy hermano de todos y execro al hombre que se sacrifica por una idea nacionalista abstracta por el solo hecho de que ama a su patria con una venda en los ojos. El chino bueno está más cerca de mí que el español malo. Canto a España y la siento hasta la médula; pero antes que esto soy hombre de mundo y hermano de todos. Desde luego, no creo en la frontera política.


A continuacion Bagaría inquiere a Lorca por las dos 'cosas' que, a su juicio, 'tienen más valor en España: el canto gitano y el toreo'. Al respecto de este último, responde el poeta:


-G.L.: El toreo es, probablemente, la riqueza poética y vital mayor de España, increíblemente desaprovechada por los escritores y artistas, debido principalmente a una falsa educación pedagógica que nos han dado y que hemos sido los hombres de mi generación los primeros en rechazar. Creo que la de los toros es la fiesta más culta que hay hoy en el mundo. Es el drama puro, en el cual el español derrama sus mejores lágrimas y sus mejores bilis. Es el único sitio donde se va con la seguridad de ver la muerte rodeada de la más deslumbradora(sic) belleza.



-L. B.: ¿Qué poetas te gustan más de la actualidad española?

-G. L.: Hay dos maestros: Antonio Machado y Juan Ramón Ramón Jiménez. El primero, en un plano puro de sinceridad y perfección poética; poeta humano y celeste, evadido ya de toda lucha, dueño absoluto de su prodigioso mundo interior. El segundo, gran poeta,turbado por una terrible exaltación de su yo, lacerado por la realidad que lo circunda, increíblemente mordido por cosas insignificantes, con los oídos puestos en el mundo, verdadero enemigo de su maravillosa y única alma de poeta




sábado, 2 de janeiro de 2010

e ainda... Regina Spektor



Embora mais comercial do que os anteriores músicos, Far, de Regina Spektor não deixa de ser uma sonoridade interessante. Mais uma vez, aqui deixo a opinião de quem sabe destas coisas...

"É absolutamente esmagadora a criatividade interpretativa de Regina Spektor. Pouco nos interessa se as canções soam parecidas, há ali um duende vocal que torna tudo sublime(...). A flexibilidade vocal mais do que surpreendente é espectacular, o seu uso não é exibicionista mas perfeito para o contexto que serve (...). A cantora nova-iorquina de origem russa escreve as letras, as músicas e acompanha-se a si própria ao piano. Esse é o alicerce comum do álbum. Mas que cresce graças ao cuidado de arranjos múltiplos.", Manuel Halpern, JL

FUCK BUTTONS


Ainda à volta de novas sonoridades... recolhendo a opinião de Manuel Halpern do JL. Talvez conheças o grupo- o teu Paulinho de certeza e irá rir-se da minha ignorância-mas mesmo assim arrisco...

"A cidade costeira de Bristol tem créditos firmados na música electrónica. Foi lá que nasceu um dos mais importante movimentos musicais dos anos 90. E não é por acaso que dali emerge este duo que é uma autêntica lufada de ar fresco para a electrónica em plena viragem da década(...). A dupla de Andrew Hung e Benjamin Power foi do que melhor aconteceu em 2009" .

JL, 30 Dez-12 Janeiro 2010

http://fuckbuttons.co.uk/

DANÇAS OCULTAS, prazeres ocultos



A primeira vez que soube da existência deste grupo musical português foi no JL de 4-17 Novembro, mas não lhe dei grande importância apesar de o título do artigo ser sugestivo (prazeres ocultos). Contudo, na semana passada fui confrontada com uma música fabulosa que acompanhava uma entrevista na Antena 2. Foi aí que percebi que o entrevistado era o mentor de Danças Ocultas, e aquela música era do seu mais recente álbum: TARAB.


Aqui deixo a música possível que encontrei no youtube. Não sei sequer se faz parte de Tarab mas vale a pena ouvir e apreciar. Deixo ainda o sítio do grupo na internet.
http://dancasocultas.weblog.com.pt

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Só para mim, Luís Miguel Nava



«Queria ter o sol só para mim.
tê-lo de forma a dele poder de vez em quando ceder parte apenas a um dos meus mais íntimos amigos


Pat que me faz sentir a melhor das amigas. O poema foi retirado do livro que me ofereceu... Obrigada doce amiga)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Noventa anos após o paradoxo de Valéry

Retirei este excerto do sítio: http://www.pnetliteratura.pt.
Trata-se de um texto que Luís Carmelo publicou,  muito interessante e sobre uma das obras de Valéry (sobre o qual pouco ou nada sei).
Espero que te entusiasme... muitos beijos.


O rosto da Europa é a figuração feliz de um perfil que representa a imagem da Eurásia a despedir-se do mundo, ou seja: do mar e das lendas que ele prolonga. Este olhar inebriado sobre o grande gravitas é o território preferido pelos maiores poetas portugueses, Camões e Pessoa. Aliás, a expressão "rosto da europa", na língua portuguesa, pertence a este último.
Neste meio diagrama meio metáfora, utilizado por Pessoa na Mensagem, a Europa surge como jazendo sobre "os cotovelos", o mais recuado sendo a Itália e o mais avançado a Inglaterra, de onde a mão sustenta o grande rosto (que fita com olhar esfíngico e fatal o oceano, o mundo, o infinito). Para o poeta, "Este rosto que fita é Portugal".

É também na Mensagem que Pessoa identifica o mito como esse “nada que é tudo”, com se fosse “o corpo morto de Deus/vivo e desnudo” que “aportou” em Portugal; e conclui, seguidamente: “As Nações todas são mistério/ Cada uma é todo o mundo a sós”.

Deste modo, o rosto de Pessoa converte-se num mundo inteiro onde terá aportado (e aportar significa encontrar no porto, no cabo, no rosto mais extremo) uma missão, cuja origem se situa no paradigmático Ulisses e no herói fundador Viriato, propagando-se, depois, naquilo que Deus "fadou", já que "o homem e a hora são um só", ou seja, já que o homem providencial e mitológico que espreita do rosto europeu se confunde com o ‘telos’, com o eschaton, com o limite último (o "teu ser é como aquela fria madrugada/E é já o ir a haver o dia").
Estamos aqui numa espécie de limbo entre a metafórica da neblina do cabo e o dia pleno da vida (metaforizando o prenúncio de um qualquer ‘ser universal’).

É precisamente este limbo que Paul Valéry em, La Crise de l’esprit (escrito em 1919, vinte anos antes da Mensagem de Pessoa), designa por paradoxo. Diz o autor: “A minha impressão pessoal sobre a França” (...) “é a de crermos, de nos sentirmos universais - quero dizer: homens do universo... Observem o paradoxo: ter por especialidade o sentido do universal”. No seu ensaio, Valéry também encara a Europa - no seu todo – como um rosto, um cabo, uma cabeça que tem olhos e que vigia o horizonte: “um apêndice ocidental da Ásia que olha naturalmente para Oeste. A sul orla um mar ilustre cujo papel foi maravilhosamente eficaz na elaboração” de um propósito, ou de um projecto.
Sobre a tese de Valéry, Derrida escreveu em O outro cabo: "A Europa reconheceu-se sempre a si mesma como um cabo", fosse a ponta extrema do continente, "a oeste e ao sul (o limite das terras, a ponta avançada da finisterra, a Europa do Atlântico ou das orlas grego-latinas-ibéricas do Mediterrâneo)", enquanto ponto de partida para a descoberta e para invenção; fosse o próprio "centro desta língua em forma de cabo, a Europa do interior, apertada, isto é, comprimida ao longo de um eixo greco-germânico, no centro do centro do cabo".
A Europa confundiu a sua imagem, continua o autor, com a "ponta dianteira de um falo" que comandou o mundo, que erigiu uma obra e a espalhou sob a forma da cultura. Contudo, quer face ao cumprimento da empresa mítica e – portanto – impossível de Pessoa, quer face ao ter sido da múltipla empresa europeia no mundo, é necessário ter em conta que, hoje em dia, a cultura do rosto se tornou subitamente numa cultura do rizoma e de imprevisto labirinto.

O limite do rosto já não se exercita e desafia no contacto distante com o outro, fosse ele o Preste João ou o Négus da Abissínia; o rosto da actualidade já está em todo o lado, cindindo com ele mesmo no quadro de um globário instantâneo. Nesse sentido, Derrida, na sua obra sobre o rosto de Valéry, recorda-nos e sugere-nos um novo étimo para o dever. Trata-se do "dever de responder ao apelo da memória europeia, de lembrar o que se prometeu em nome da Europa, de re-identificar a Europa" como "dever sem denominador comum com tudo o que geralmente se entende sob este nome". É um dever que exige que outros cabos e rostos se abram dentro do mais antigo rosto actuante do mundo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Dicionário de Gonçalo M. Tavares


Posição – Um texto não deverá ter posições, mas sim esconderijos não detectáveis. A posição é uma visibilidade evidente e um texto literário deverá ter apenas indícios de visibilidades. A única evidência será a sua invisibilidade.Mas claro que a invisibilidade total torna impossível o contacto. Diremos que o que se recomenda são invisibilidades intermédias. Ou: visibilidade intermédia. O que deverá permanecer escondido, sem posição visível? O mais importante. O que deverá ser a parte visível? Aquilo que leve o leitor a fazer mais coisas. O texto que trabalha mais é o texto que faz trabalhar mais.E uma personagem não deverá ter uma posição fixa. Se o tiver não é uma pessoa, mas um objecto. Uma personagem não tem posições, mas in-dis-posições: comportamentos em modificação permanente. Uma indis-posição é um momento que não sabemos como terminará. E uma posição nem sequer é um momento. É um não-momento. Um não-acontecimento. 
Na literatura como na guerra: a posição do texto deverá ser um mistério, algo que requer investigação.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

75 anos de Mensagem



Doce Pat, o Paulo sugeriu-nos o sítio que deixo de seguida. O Gonçalo M. tavares escreve lá regularmente. Aproveitei a navegação para roubar esta notícia para ti...
http://www.pnetliteratura.pt


Passam hoje, dia 1 de Dezembro, 75 anos sobre a publicação da primeira edição de Mensagem de Fernando Pessoa. Para assinalar a efeméride, a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e a Câmara Municipal de Lisboa promovem uma sessão comemorativa no anfiteatro da BNP com a presença de Eduardo Lourenço, Manuel Alegre e Vasco Graça Moura.
Ler tudo aqui:http://www.bnportugal.pt

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TETRO

O último filme de Francis Ford Coppola (que esteve recentemente entre nós no Estoril Film Festival) estreia hoje, 19 de Novembro. Rodado em Buenos Aires, Tetro conta a história de reencontro, numa família de emigrantes italiana.


Para saber mais sobre a carreira de Coppola:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Ford_Coppola



O trailer de Tetro:



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CINANIMA


Doce Pat, escrevo-te ao sabor da agradabilíssima música que colocaste no post anterior! Que surpresa tão saborosa... verdadeiramente suculenta...

Aproveito este relax para te dizer que (talvez saibas já, mas deixa lá, faz de conta que é novidade....) acabou no domingo, dia 15 de Novembro, mais um festival de animação que decorreu desde o dia 9, em Espinho... é verdade... no teu belo recando, bem junto ao mar. Segundo os críticos, trata-se do maior festival de cinema de animação português e um dos mais destacados a nível internacional e esta foi já a 33ªedição!

Não sei se aprecias o género, mas a mim agrada-me imenso a animação pois neste tipo de cinema conseguimos ver o quão ilimitado é o potencial humano ! A imaginação, de facto, surpreende-nos constantemente e o ser humano é uma caixinha de surpresas. Repara bem na qualidade dos filmes que te proponho e que passaram no certame. Tive a preocupação de escolher filmes também em português pois a elevada qualidade dos mesmos não fica nada a dever aos estrangeiros! Somos bons a fazer cinema, apesar dos poucos meios e fracos ou raros incentivos. Porque insiste Portugal em monopolizar os subsídios nos produtores de sempre e não dá oportunidade de se afirmarem no mercado novos talentos?


Espero que gostes da selecção e junto ainda o sítio oficial do festival...
E porque sonhar é bom, VOOS ILIMITADOS, AMIGUINHA


De Portugal:


Mi vida en tus manos (de Nuno Beato): sobre a tourada e ganhou o Prémio António Gaio




Pássaros (de Filipe Abranches): ganhou o Grande Prémio Tobis





Do Estangeiro

The Spine (de Chris Landreth): ganhou o Grande Prémio Cinanima 2009

URS (de Moritz Mayerhofer): ganhou o Prémio Melhor Banda Sonora Original

In attic: who has a birthday (de Jiri Barta): de acordo com a crítica, uma animação fabulosa



Goat Stor- the old Prague Legends (de Jan Tománek): a primeira longa metragem 3D da República Checa e que conta a história do homem que fez o relógio mais famoso da Europa




The tale of the soldier Fedot, the Darkling fellow (da russa Ludmila Steblyanko): a crítica refere tratar-se de uma história de encantar em verso e ainda ao estilo soviético


Boogie, el acetoso (do argentino Gustavo Cova): segundo a crítica trata-se de uma obra excessivamente violenta e inspirada numa BD proibida na Argentina durante a ditadura





Fonte: Jornal de Letras de 4-17 de Novembro 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Parabéns José Saramago


José de Sousa Saramago (Azinhaga, 16 de Novembro de 1922) é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.
O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus).
Nasceu na província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, é membro do Partido Comunista Português e foi director do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado com a espanhola Pilar del Río, Saramago vive actualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.
Wikipédia

sábado, 14 de novembro de 2009

Ainda Ondjaki

Doce amiguinha, e nao e´ que estou a gostar de Ondjaki? Voltei a pegar naquele livro de poesia que custou uma pechincha... e estou a entende-lo de outra forma... Ha´ coisas inexplicaveis... Nao fosse o texto de que te falava no post anterior e dificilmente voltaria a pegar neste livro (Ha Prendisajens com o xao). Por agora vou deixar-te com um texto deste autor tao criativo e que colocou logo nas primeiras paginas...


«aprendizagem e´ a palavra que, ela sim, ramifica e desramifica uma pessoa; ela enlaça, abraça, mastiga um alguem cuspindo-o a si mesmo, tudo para novas geneses pessoais. estas palavras sao, elas sim, para pessoas que se autorizam constantes aprendicismos. modos. maneiras. viveres. ate sangues. aprendizar nao e´ repessoar-se?»

Ondjaki



Doce Pat, nao sei se leste o texto que Ondjaki escreveu na ultima ediçao do JL. Caso nao o tenhas feito sugiro-te que o faças pois e´´ um texto belisimo de Outono: "Carta de Bloomington Indiana". Fiquei maravilhada com a descriçao que este autor (tao novo!) faz dos tons e das sensaçoes desta epoca tao cativante. Uma verdadeira alma poetica... E as fotos (tiradas pelo proprio) sao magnificas... repara bem nesta ultima: um chao repleto de folhas lindas...
E nesta pesquisa sobre o autor acabei por encontrar o seu sitio na net http://www.kazukuta.com/ondjaki/ondjaki.html
e que e´´ um adepto do twitter
http://twitter.com/ondjaki
Coloquei no nosso cantinho imaginarium o endereço para mais facilmente sabermos por onde vagueia! Muitos sonhos...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

9 -11-1989- Recordando a queda do Muro


A Alemanha festeja hoje o vigesimo aniversario da queda do muro de Berlim e eu nao podia deixar passar este dia sem colocar um post dedicado a este tema tao contemporaneo para nos! Felizmente que a humanidade se livrou deste muro vergonhoso (ergo palavras de elogio aos milhares de alemaes que se insurgiram e que nunca desistiram de lutar pela liberdade).
Lembrei-me por isso, de colocar uma musica e um trailer de um filme em que Berlim aparece como cenario ou personagem principal (depende dos pontos de vista!)... A pelicula e´ Asas do Desejo, de Wim Wenders, sobre a qual ja tanto falamos doce Pat, e a musica e´ dos Radiohead. Embora o filme nao trate do muro, o cenario centra-se numa capital bastante devastada, acabada de entrar num pos guerra traumatico e o muro (que aparece debilmente) acentua esse drama. Achei interessante revermos o sonho e os anseios de um povo verdadeiramente humilhado... o filme e´´ de rara beleza, muito profundo no sentido filosofico e, na minha opiniao, o que melhor retrata a capital alema no contexto da historia do seculo XX.
Para mim, e sem duvida, dos mais belos filmes de sempre...


domingo, 8 de novembro de 2009

Sara Tavares, uma vozinha magnifica

Pat, doce Pat, apetece-me oferecer-te a harmonia dos sons. Os sons elevam a nossa alma tambem e fazem-nos voar! Hoje escolhi a Sara Tavares, porque procurava a voz de uma mulher.
Achei belas as letras destas musicas e decidi dedicar um post a esta nossa querida cantora.
As musicas sao so´ para ti! Espero que as aprecies. Um optimo Domingo...

PONTO DE LUZ

Escutando no vento
Tua voz secreta
Que me sopra por dentro
Deixe-me ser só ser
No teu colo eu me entrego
Para que me nutras
E me envolvas
Deixa-me ser só ser

Um ponto de luz
Que me seduz
Aceso na alma
Um ponto de luz
Que me conduz
Aceso na alma

Por trás dessa nuvem
Ardendo no céu
O fogo do sol rai
Eternamente quente
Liberta-me a mente
Liberta-me a mente

Um ponto de luz
Que me seduz
Aceso na alma
Um ponto de luz
Que me seduz
SAIU PARA A RUA

Rui Veloso e Sara Tavares
Composição: Carlos Tê / Rui Veloso

Saiu decidida para a rua
Com a carteira castanha
E o saia-casaco escuro
Tantos anos tantas noites
Sem sequer uma loucura

Ele saiu sem dizer nada
Talvez fosse ao teatro chino
Vai regressar de madrugada
E acordá-la cheio de vinho

Tantos anos tantas noites
Sem nunca sentir a paixão
Foram já as bodas de prata
Comemoradas em solidão

Pôs um pouco de baton
E um leve toque de pintura
Tirou do cabelo o travessão
E devolveu ao rosto a candura

Saiu para a rua insegura
Vageou sem direcção
Sorriu a um homem com tremura
E sentiu escorrer do coração
A humidade quente da loucura