Um mistério
domingo, 7 de março de 2010
Os Objectos Chamam-nos, Juan José Millás
Um mistério
Mutus Liber, Dino Valls
sábado, 6 de março de 2010
Mark Rothko e Barnnet Newmann
"A simplicidade é o último degrau da sabedoria."
Gibran
Ricardo Menéndez Salmón
No ano seguinte publicou "Derrumbe", que a Porto Editora traduziu para português´- "Derrocada" (e esteve à venda na Casa da Juventude na Póvoa de Varzim, nas Correntes d'Escrita).
Já em 2009, veio a lume o seu mais recente romance, El Corrector.
Los miedos contemporáneos, desde los más inmediatos a los más metafísicos, se esconden y perciben en las imágenes, fogonazos y potentes elipsis que ha trazado el asturiano Ricardo Menéndez Salmón en su nueva novela, "Derrumbe".
Entrevista a Ivo Machado
[15-02-2010] Pedro Teixeira Neves
http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=1768
Ivo Machado nasceu nos Açores em 1958. Publicou: Alguns Anos de Pastor, poesia, 1981; Três Variações de um Sonho, poesia, 1995; O Homem que nunca existiu, teatro, 1997; Cinco Cantos com Lorca e Outros Poemas, poesia, 1998 (homenagem particular ao poeta de Granada, tendo sido convidado a apresentar o livro naquela cidade andaluza durante as comemorações do centenário do nascimento de Garcia Lorca e, em Fevereiro de 2002, traduzido e editado naquele país numa edição bilingue, pela LITERASTUR); Nunca Outros Olhos Seus Olhos Viram, novela, 1998; Adágios de Benquerença, poesia, 2001; Os Limos do Verbo, poesia, 2005; Verbo Possível, poesia, 2006. Ainda em 2006, publica Poemas Fora de Casa, antologia que reúne a sua poesia, celebrando assim os vinte e cinco anos da publicação de Alguns Anos de Pastor, seu primeiro livro. Parte da sua poesia está traduzida para castelhano, inglês, eslovaco, húngaro, italiano e bósnio. Tem colaboração dispersa por revistas literárias no país e estrangeiro, estando ainda representado em inúmeras antologias. Do primeiro livro, Fernando Lopes-Graça, musicou para canto lírico sete poemas a que chamou — Sete Breves Canções do Mar dos Açores. Em 1987 deixou as ilhas para viver no Porto.
És um escritor bisexto, não muito regular, pelo menos em matéria de publicação; a que se deve isso?
Há uma vida para além dos versos, e necessito de a viver intensamente.
A poesia intende responder ou antes questionar?
A poesia é uma interrogação permanente, e o poeta é aquele que utiliza o idioma da nossa perplexidade.
Procuras a poesia ou és por ela procurado?
O poema move-se lentamente em sedução até que me disponha a recolher as palavras, como se elas navegassem num ribeiro e as recolhesse uma a uma, para as cuidar e lhes dar uma outra roupagem.
Achas verdade aquilo que se diz de que hoje em dia há mais gente a escrever poesia do que a lê-la?
Sempre foi assim, creio, pois a história do Homem é a história da Poesia. Muitos são os que não lêem um verso, mas é ao verso que recorrem quando se manifesta o desassossego, ou simplesmente para interrogar o mundo.
Quais os poetas que te influenciaram?
Desde logo, e entre nós, Camilo Pessanha e Sophia. Mas fora de portas António Machado e Lorca. Na década de noventa chegou-me a poesia do brasileiro Lêdo Ivo.
Ser poeta é estar à vida em estado de vigília? O que é ser poeta?
Os povos inventaram e renovaram a língua e as linguagens, e o poeta descobriu a sua abundância e a vastíssima riqueza dos seus vazios, dos vazios que é preciso ocupar com a necessidade de dizer e de escutar como numa declaração de amor repetida sempre e sempre como as palavras que os amantes exigem para viver. Poeta é aquele que estende a sua mão para que as borboletas e os tentilhões, direi que todos os seres, alcancem o porvir infinito.
Os versos assumem muitas vezes na tua poesia a função de regresso, à infância, ao passado, às ilhas que deixaste, aos amigos idos. Em que medida te é necessária a poesia nesse regressar?
A poesia de algum modo é uma imobilidade, e o poeta aturdido pelos ruídos do universo e pelos brilhos das viagens, cedo entende que o seu maior segredo é uma imobilidade porque poesia é, também, uma evasão da qual a partida corresponde sempre a um regresso.
A poesia é filha do silêncio?
Filha, irmã e noiva. E da luz.
Quanto há de inspiração e quanto de transpiração na tua poesia?
Nem uma coisa nem outra, antes trabalho e muita alegria.
A poesia ajuda-te a viver?
Naturalmente. A poesia é também a água que mata a minha sede.
E tens alguma ideia acerca do que as pessoas procurem na poesia?
Como leitor, e para além de respostas, sinto que ela é um dos raros territórios possíveis de habitar.
Tens algum livro prestes a publicar?
Sim, no começo do próximo ano, três décadas após o aparecimento do meu primeiro livro.
Quando soubeste que querias ser poeta?
Sem qualquer hesitação no dia em que, quieto como uma mosca, me comovi (teria os meus catorze anos) ao escutar o pai de um amigo dizendo de memória Llanto Por Ignacio Sánchez Mejías, de Lorca. Ainda trago no ouvido alguns dos seus versos:
Recordo esse dia e essa leitura com alguma frequência. E lembro ainda que nesse dia, de regresso a casa, senti que queria ser como aquele homem. Ele, o pai do meu amigo, era poeta. Chamava-se Emanuel Félix.
Nas Correntes os poetas nadam contra a corrente?
Dentro da corrente, de certo modo ele é a onda.
O que te faz gostar de ir às Correntes?
Vou às correntes com o mesmo espírito que me levou à primeira, e de todas as edições seguintes, isto é, participar com humildade numa festa que é um encontro e reencontro de amigos (a cada ano um novo amigo chega) e uma mesa enorme ao redor das palavras.
sexta-feira, 5 de março de 2010
IVO MACHADO
Nas Correntes d'Escritas senti-me acorrentada às palavras (e à voz poderosa) de Ivo Machado. Ele é o verdadeiro poeta. Vê como ele faz correr as ondas sobre as palavras...
« “Não há limites para as palavras. Nós é que impomos limitações à palavra”, referiu Ivo Machado que revelou que o “poema surge como uma rebentação, uma maré de palavras que vêm contra nós”. “A poesia é que nos vem dizer o quão pouco claras são as coisas que nos aparecem claras”, acrescentou.»
Um poema dele que serve de abrigo. Sinto-lhe o telhado bem inclinado, mesmo por cima da primeira estrofe. Ler o poema-casa é abrir a porta da poesia de Ivo Machado...Lê tu, agora, mesmo sem a chave:
CASA
Das casas sobram sempre lamentos,
languidez do amor nos rios dum lençol, a mão
disforme nos lábios húmidos duma palavra;
das casas restam sempre nomes, vozes
das casas cresce uma alma
que esmaga o tecto minúsculo das mariposas
do Verão; das casas sempre um cheiro de nascer;
das casas sempre o roçar das asas da morte.
Nascer e morrer na mesma casa é privilégio,
sabedoria, ou sublime instante de passagem,
apenas.
Montevideo, 28 de Janeiro de 2006
(inédito)
terça-feira, 2 de março de 2010
Ondjaki e ynari: a menina das cinco tranças
O homem muito pequenino andava devagarinho e devagarinho se aproximou.
– Olá! – cumprimentou.
– Olá – respondeu Ynari, receando que estivesse a falar alto de mais para o tamanho do ouvido do homem muito pequenino. – Desculpa, mas não sei o teu nome...
– Eu também não sei o meu nome... – desculpou-se o homem muito pequenino. – Mas chamam-me homem pequenino.
– Ah, está bem... – sorriu Ynari, enquanto se deitava na relva para ficar mais perto dele.
– Eu tenho um nome só, quer dizer, uma só palavra: chamo-me Ynari.
– Ynari é um nome muito bonito – o homem pequenino sentou-se, ficando, assim, ainda mais pequeno.
– Posso fazer uma pergunta, homem muito pequenino?
– Podes fazer muitas perguntas.
– De onde vens?
– Venho da minha aldeia, que fica mais para cima, junto à nascente do rio.
– E lá, na tua aldeia, são todos pequeninos?
– Sim, somos todos mais pequenos que vocês, quer dizer, depende daquilo que entendemos por «pequeno». Não achas?
– Nunca tinha pensado nisso. Sempre pensei que uma coisa menor fosse uma coisa pequena...
– Pode não ser assim... Conheces a palavra «coração»?
– Conheço! – sorriu Ynari. – E não é só uma palavra, é isto que bate dentro de nós – e mostrou no seu peito onde o coração batia.
– Claro, e... O coração é pequeno para ti?
– É... e não é! Cabe tanta coisa lá dentro, o amor, os nossos amigos, a nossa família...
– Vês? – disse o homem mais pequeno que ela. – Às vezes uma coisa pequenina pode ser tão grande...
Os dois ficaram por um tempo calados, olhando o Sol que, do outro lado do rio, quase já tinha desaparecido. Assim, tão amarelada que estava a tarde, parecia que o Sol se ia afogar no rio e que os peixes, saltando, se queimavam nos seus raios avermelhados. Estiveram algum tempo assim, até que Ynari começou a brincar com as suas tranças: eram cinco tranças lindas, negras, compridas.
A menina tinha olhos enormes que brilhavam muito e lábios carnudos muito bonitos.
– E tu, de onde vens? – perguntou o homem mais pequeno que Ynari.
– Eu venho daquela aldeia ali – apontou a menina na direcção das cubatas. – Vivo ali com a minha mãe, o meu pai, a minha avó e o meu povo.
– E quem te faz as tranças?
– Ninguém me faz estas tranças, porque elas não se desfazem... A minha avó diz que eu já nasci com as tranças e que um dia vou saber porquê. Eu gosto muito de brincar com as minhas tranças.
Levantaram-se, os dois, e caminharam junto ao rio. Agora o homem mais pequenino que Ynari já não lhe parecia tão pequenino, nem era estranho caminhar ao seu lado, embora ele fosse muito mais baixo do que a menina. De vez em quando, Ynari afastava os capins mais altos para que o homem mais pequeno pudesse caminhar livremente.
– Não tens medo dos bichos? – ela perguntou.
- Não. Os bichos não fazem mal nenhum... E mesmo a palavra «medo» pode ser vivida de várias maneiras.
– Mas quando estás perto de uma palanca negra gigante, tens medo, ou não?
– Sabes, Ynari, nunca estive muito perto de uma palanca negra gigante embora já a tenha visto muitas vezes. E tu?
– Eu só a vejo de longe.
– A palanca negra gigante correu até perto de ti, fez-te mal?
– Não, nunca.
– Vês... Não precisas de usar a palavra «medo».
– Também acho... – disse Ynari, dando a mão ao homem simplesmente
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A viagem da Pat
Não arrisca vestir uma cor nova,
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Receita para que não murchem (nem se assista à sua agonia, que é obsceno) amores plantados nas margens do rio vida-vidinha
Magritte, A Leitora Submissa(Há textos a que me submeto irremediavel e inteiramente. Este foi-me oferecido pela Filomena após a sua leitura de "Materiais para confecção de um Espanador de Tristezas" de Ondjaki. Por ser verdade o que me disse (que esta última obra é um esplêndido instrumento contra qualquer tipo de infelicidade), comprei-o duas vezes. É igualmente verdadeiro o facto deste livro ser inspirador da escrita lúdica e uma obra de arte de referência que deve constar em qualquer
oficina de escrita criativa. O ideal seria juntar estas duas personalidades magníficas: Filomena e Ondjaki. Deixo o poema para não o distanciar muito mais do título que o explica).
Há que ser árvore antiga e ter o tronco oco recheado de silêncios e os ramos carregados de palavras frescas e maduras.
É preciso ter cuidados de peixe para desovar carinhos em covas de abraços ao abrigo da boca do Tempo.
Deve haver um princípio activo de Primavera que alcatife o quarto com flores chamadas desejos, sorrisos, beijos, risos.
Não deve faltar a sabedoria dum perito em desminações de mal-entendidos com ferramentas lógicas.
Há que ser pássaro para estar pronto a levantar voo antes que marés amargas inundem as margens de lodo.
Filomena Teixeira
sábado, 20 de fevereiro de 2010
A Fotografia (A História do Vampiro de Belgrado) - Gonçalo M. Tavares
Um excerto deste conto:3.
Se, de um lado, do lado de fora da porta, a noite fazia, com a paisagem, uma paisagem nocturna, do outro lado a noite era uma estranheza obscena.
Neste lado meio-diabólico (palavra que representa o dobro da quantidade de maldade que existe num espaço apenas diabólico por inteiro. Meio-diabólico: ainda mais indefinível, pois), neste espaço então a paixão fazia abanar o pequeno globo que alguém colocara docemente sobre a mesa de jantar. Com o balançar que dos movimentos rápidos da fornicação passara para o soalho de madeira, depois para as pernas da mesa e por fim, para o globo, fazendo tremer, como nunca a costa de África, o centro da Europa, a América e todo o globo de uma forma solidária e sincronizada como jamais o mais poderoso terramoto conseguira.
Meio-diabólico, sim, mas que nomes tinham ele e ela?
Ela era uma prostituta que não lera uma das primeiras entradas do diário do seu companheiro; companheiro dessa localizada missão de tirar prazer das partes que nop corpo desde há milénios se especializaram nisso, em produzir prazer. Radislav Gunvaz Vujik: eis o nome do seu companheiro que, debaixo da data de 12 de Setembro, escrevera, de uma forma que só mais tarde se percebera o quão explícita era e, ao mesmo tempo, tão ambígua: GOSTO DE SANGUE, gosto de sangue, gosto de sangue.
4.
A fornicação prossegue, apesar de ninguém a poder ver pois o que vemos são apenas os seus efeitos que nada têm de simbólicos. Eis o globo na mesa, abanando. Oceano Atlântico, o Mediterrâneo, o Pólo Sul, o Pólo Norte, a Rússia, como ela treme, toda a Mongólia treme – nem de transiberiano se vê a Sibéria assim, como se tivesse frio, tremendo. Como fornicam, Radislav Gunvaz Vujik, um homem que, com 18 anos, percebera que gostava de sangue, e essa mulher, uma prostituta que fora encontrada por Vujik numa esquina do centro de Belgrado.
(…)
Deixo uma prova irredutível de que existe, sem querer ferir qualquer um dos outros escritores representados nesta antologia, (e conforme Saramago escreveu no seu Caderno, tão perspicaz!) na Literatura Portuguesa um antes e um depois de Gonçalo M. Tavares. Tão feliz fico por ser sua contemporânea…
É difícil encontrar quem descreva tão bem um momento de “fornicação”, que muitas vezes fere e atrai o leitor em simultâneo pela rudeza descarada das palavras, dos gestos (que os narradores exibem pensando que na literatura tudo cabe, pegando em corriqueiras e nojentas palavras da família do verbo “fo…”, descrevendo gemidos, esgares, corpos em erupção, olhos revirados, centrando a sua atenção naquilo que o leitor já visualizou…) O narrador de M. Tavares é inteligente como o seu autor (não gosto de endeusar ninguém, mas esta é a verdade!)…descreve o acto sexual, descentrando a sua descrição do óbvio, do rotineiro, construindo um ambiente de excitação completamente novo, transferindo todo o orgasmo para os países de um globo que periférica e metonimicamente também explodem de prazer… E é assim, diria, quase diabolicamente, que este escritor concebeu a introdução dos personagens do conto, revelando aos poucos, em repetições que tocam a infantilidade (acho fabuloso este aspecto da narração), as suas identidades, os seus segredos, os espaços privilegiados em que ambos actuam e habitam … enfim, assim, não me canso de pensar, que vale a pena ser leitora
P.S: Vale a pena comprar a revista Máxima do mês de Fevereiro para ler a Crónica Visual que Gonçalo M. Tavares assina. Vi a revista e li a crónica num hipermercado, desconfortavelmente em pé e rodeada de vultos que desfolhavam, vorazes, outras publicações, apercebendo-me de que ele inibe toda a necessidade de vislumbre de beleza naquelas páginas coloridas e cheias de objectos e pessoas ultra-modernes, toda a tentação de achamento da última novidade, apenas com as suas palavras. Com a sua sensibilidade literária. Aquela página, apercebi-me, da crónica de que te falo, destruiu qualquer possibilidade de interesse das restantes páginas da revista. A página da crónica é irredutivelmente poderosa, contém as possibilidades de todas as imagens das restantes tristes folhas consagradas maioritariamente à mode e ao fait-divers. Não comprei a revista nessa tarde de sexta-feira porque estava lá para comprar outras coisas urgentes. Não programei aquele encontro tão rico. Arrependi-me de não comprar a revista. De deixar para trás a Crónica Visual que não consigo encontrar na Net. quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Neruda: Cartas de amor inéditas a Matilde Urrutia

Carta manuscrita do poeta
[Carta manuscrita en cuatro páginas pequeñas, con membrete del Hôtel D'Angleterre de Roma. La única indicación de fecha que tiene es “Hoy es el sábado 28”. No sabemos de qué mes, pero sí podemos colegir que es de 1952 por la alusión en clave que hace a la primera edición del libro Los versos del capitán, que apareció ese año.]
Hoy es el sábado 28 y he amanecido sin tus pies. Fue así. Me desperté y toqué al fin de la cama una cosa durita que resultó ser la almohada, pero después de muchas ilusiones mías. El hijo de nuestra tía se portó indiferente, me esperaba un auto (del impresor) y marché raudo. Tu hijo será gordo y maravilloso, tendrá 180 páginas. Y tendrá dibujitos en la frente y trasero.[Sin duda se trata de Los versos del capitán, dedicado a Matilde] . Bueno, parece que mi tía no quiere que vuelva a Italia y debes preparar tu viaje, pero con calma, como cuando comemos. Hasta ahora es así. No sé si en el día se cambiarán las cosas. Esta mañana me llevaron a un sitio con una tina blanca, no comprendí al principio, pero me metí, con miedo de disolverme. Había una gran toalla, qué pérdida de trapo, en S. Angelo se hubiera cortado en 12 y hubiera servido hasta junio 1953. Cuando me levanté y abrí a la camarera vi que me faltaba una parte de pyjama que según me dicen se llama pantalón. Es así: [dibujo de un pantalón.] Patoja mía estoy contento, soy como un soldado con su retaguardia segura. No me importa el fuego. No sé si estoy aun con mar o agua de Patoja, todo mi cuerpo está saturado de tí. Eres parte de mí, como la pirinola de su cane, sólo que tengo pirinolas tuyas hasta en el alma. Recién me llaman, esta tarde te escribiré de nuevo, acumularé todo el día besos para todo tu cuerpo que es interminable para mí, aunque la vida me la pasaré besándolo no lo terminaré de besar. Desperté a las 6 ½ a las 8 estaba vestido, son las 9 salgo a los tickets. Hay algo más importante que tu y que yo, somos tu y yo. Juntos somos lo que la pobre gente no alcanza jamás, el cielo en la tierra. Te aprieto a mi corazón, amor mío, con cuerpo, alma y amor.
Tuyo
Tu capitán
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Dino Valls
Insâniaconheci este pintor há pouco mais de um mês e fiquei deslumbrada com o modo tão especial como retrata sobretudo a mulher, o espaço, a sexualidade. Agora lembrei-me de que uma vez que estás a ler um romance escrito por um escritor-médico (ou médico-escritor) é a altura ideal para conheceres mais um médico-pintor. Este é espanhol e transporta para as pinturas uma visao vulgarizada da medicina e dos seus objectos. Comove-me a condição mortal do ser humano aqui tão bem retratada. Houve um quadro dele que me fez lembrar a loucura retratada em Jerusalém por Gonçalo M. Tavares. Poderia fazer a capa desse romance tão negro. Deixo-te a página de Dino Valls para te deliciares como eu.
http://www.dinovalls.com/
Slepless Heart
-As tuas palavras são superiores à tua idade. Quem tas ensinou?
-Aprendi-as hoje na ilha (ilha de Capri); compreendi esta boa gente, que não sabe ler nem escrever, é bem mais feliz do que eu, que desde criança fatigo os olhos para adquirir sabedoria.
Heart Skipped a Beat na Solidão
Nas Nuvens (Up in the air) - Jason Reitman
http://www.youtube.com/watch?v=_m-Da8Tz4_E
Em nome da amizade (Reign over me) - Mike Binder
Deixo o trailler do filme:
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Rodrigo Leão em Concerto - "Mãe"
sábado, 13 de fevereiro de 2010
O livro de San Michele
Axel Martin Fredrik Munthe (Oskarshamn, Suécia, 31 de outubro de 1857 — Estocolmo, 11 de fevereiro de 1949) foi um médico, psiquiatra e escritor sueco. Sua obra mais famosa é The Story of San Michele ("O Livro de San Michele") publicada em 1929. Munthe também foi conhecido por sua natureza filantrópica e por advogar os direitos animais.O leopardo ao sol
(um extracto retirado da Wook)
Premiada e aplaudida por escritores como Gabriel García Márquez e Alvaro Mutis, a escritora colombiana Laura Restrepo foi dada a conhecer ao público português através de «Doce Companhia», uma arrebatadora história de amor que não deixa de denunciar os problemas sociais vividos num país como a Colômbia, obra galardoada com o 'Prémio France Culture' pela melhor obra estrangeira editada em França em 1997 e com o Prémio mexicano 'Sor Juana Inés de la Cruz'. É , portanto, uma autora que dispensa apresentações entre o público português, e sabe, como ninguém, mesclar com uma mestria sublime e incomparável o humor e a crueza, a ficção e a realidade. «O Leopardo ao Sol», espelho do submundo colombiano, o retrato vivo da ficção tornada realidade, foi inspirado na tradição sul-americana e carrega consigo uma forte carga de destruição e morte. No dia em que Nando Barragán assassina, durante um acesso de raiva, provocado pelo álcool, o seu primo Adriano Monsalve, desencadeia uma guerra fraticida, destinada a durar até ao fim dos tempos. Essa guerra será marcada pela lei do deserto: sangue paga-se com sangue. As duas famílias alimentar-se-ão de uma terrível sede de vingança e vão acumulando riquezas através do crime e de negócios obscuros. Nando Barragán e Mani Monsalve são os trágicos protagonistas de uma época ensombrada pela atrocidade da morte que irá mais tarde engolir tudo. «O Leopardo ao Sol» resulta, assim, num livro brutal, intenso e extraordinariamente bem concebido.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
a máquina de fazer espanhóis - valter hugo mãe
blogue casadeosso
Que tal, "bora aí"?
Deixo um pedacinho da "máquina de fazer espanhóis" (um livro que faz explodir qualquer noite com as suas palavras) para despertar qualquer tipo de inércia que possa servir a recusa deste programa:
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
"Muitos" - Em Permanente Poesia
Muitos
Muitos
Tu não és um és muitos
como aquela árvore
é todas as folhas que mexem
como aquele mar
é todas as ondas que avançam
como aquela casa
é todas as luzes acesas
como esta rua
é todas as vozes que nela palpitam
e todos os carros que a atravessam
em ruídos escuros de uma memória.
abres silêncio ao arredares os lençóis
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Falling down a mountain - Tindersticks
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Coisas Estúpidas (Carta a Eric Rohmer) - Inês Pedrosa
O trailler de Conte d'hiver:
http://www.youtube.com/watch?v=BMIW4GrKsYg
domingo, 31 de janeiro de 2010
The XX - nova banda londrina
http://www.youtube.com/watch?v=kHZVGqqf3gg
o escafandro e a borboleta
Com este olho piscava uma vez para dizer sim e duas vezes para dizer não. Com ele chamava também a atenção do seu visitante para as letras do alfabeto, formando palavras, frases, páginas inteiras. Assim escreveu este livro: todas as manhãs, durante semanas, decorou as suas páginas antes de ditá-las, depois de as ter corrigido mentalmente durante a noite.(...) Bauby faleceu a 9 de Março de 1997, mas deixou este seu testemunho impressionante, bem escrito, e melhor traduzido, do que é ter um intelecto vivo dentro de um corpo morto."
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Biblioteca - Gonçalo M. Tavares
"O ponto de partida deste livro é a obra dos autores - nunca aspectos biográficos. Uma ideia ou apenas uma palavra mais usada pelo escritor (por vezes, mesmo associações inconscientes e puramente individuais) estão na origem do texto. Mas cada fragmento sege o seu ritmo próprio.
O percurso de leitura poderá ser determinado pelo acaso ou pela vontade dirigida (e não apenas pela sequência da paginação). Agrada-me a ideia de que alguém possa ler alguns destes fragmentos hoje, e outros daqui a alguns anos."
Adorei este fragmento com que me deparei casualmente na letra h, quando procurava vorazmente Harold Bloom:
Hans Magnus Enzensberger
Um homem, com os pés dentro de uma caixa, faz um discurso sobre a rapidez no mundo.
Outro homem, com a cabeça numa caixa, faz um discurso sobre a clareza no mundo.
Um terceiro homem, com uma caixa em redor das ancas, faz um discurso sobre a necessidade de a sedução ser uma prática tão considerada socialmente como a simpatia.
Entretanto, no canto da sala, uma caixa sem homem nenhum permanece imóvel e muda (como seria de esperar). Mas essa caixa perturba. Porque traz um mistério.
Magnus Enzensberger (11 de novembro, 1929 11 de Novembro de 1929 em Kaufbeuren) é poeta, ensaista, tradutor e editor alemão. É também escritor sob o pseudônimo de Andreas Thalmayr, Linda Quilt, Elisabeth Ambras e Serenus M. Brezengang.
Enzensberger estudou literatura e filosofia nas universidades de Erlangen, Freiburg, Hamburgo e também em Sorbonne, Paris, recebeu seu doutorado em 1955.
Trabalhou como redator na rádio de Stuttgart e exerceu a docência até 1957, com o volume de poesias Verteidigung der Wölfe (Defesa dos Lobos).
Entre 1965 e 1975 foi membro do Grupo 47. Em 1965 criou a revista "Kursbuch" e desde 1985 edita a série literária Die andere Bibliothek.
Publicou entre outras obras Zigue Zague, O naufrágio do Titanic, Outra Europa.
Também gostei muito do texto para Virginia Wolf. Ora, lê:
Virginia Wolf
Numa festa 1, 2, 3 homns passeiam com os seus quilos e os seus membros.A mulher traz uma rosa que ontem lhe ofereceram. Tem os olhos verdes e as rosas vermelhas. Uma mulher inteligente, mas tem pele, como as outras. O seu cabelo é uma pintura que os homens observam demoradamente. Todos os outros penteados parecem falsificações.
























