segunda-feira, 10 de maio de 2010


A casa onde vivi - naquela rua
de costas virada para as ondas altas
continua de janelas muito abertas
resguardadas em cortinados frios
a desfazerem-se em danças - assobios
como se fossem o vento a passar

E quando a olho da rua que passa
parece que me vejo ao longe sentada
na soleira da porta a tremer de frio
num corpo esguio em cabelos a voar -
- como os cortinados de ventania
vejo-me à espera de um céu de estorninhos
deslumbrada da sua passagem flagrante
do desenho misterioso que abrem nas asas

consigo ao longe apanhar o meu espanto
a vogar naquele voo negro a parecer tinta
anónima na impulsão que me leva
a voar com o bando sem ninguém dar conta
sem sequer ter tido o cuidado
de antes de partir bater a porta.

2 comentários:

Anabela disse...

Doçura
voo contigo, naquele meninice tão meiga, tão cheia de encanto e candura! quero continuar a voar contigo por novos e desconhecidos mundos, sempre com ar de espanto e maravilhamento! Livre como o bando de pássaros, livre para continuar a sonhar!
Belo, amiguinha, muito belo o poema!
Ainda sinto a magia do aparente cinzetismo das palavras(e que eu tanto gosto!). Senti-me invadida pelo teu mar, e subitamente senti a menia que tenho dentro de mim em ti, nas escadas da tua casa, a braços voltada para o teu mar, revolto! e que imagem magnífica! Senti ainda os cabelos revoltos a balançarem ou a competirem com o ondular do mar!
Doce amiga, sinto algum desconforto na minha alma,um certo frio ou gelo, e sinto-o porque tu o sentes! Amanhã espero-te, com a tua alma mas quente- ou o espírito (ah! mas que dúvida filosófica esta!!!).... Quero-te exangue de felicidade!
Muitos beijos, maravilhosa amiga, maravilhosa escritora de emoções!!
anabela

Leitores SOS Murça disse...

Linda amiga,

ainda bem que gostas desta recordação de infância.Áliás, já sabia que irias gostar muito dele (como gostas de mim). Mil bjs para ti que amparas tão bem o meu desejo de poesia e me fazes andar em sempre em frente.

Patrícia