segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUE PODE UMA CRIATURA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Que pode uma criatura senão,
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 30 de maio de 2010



Uma harpa chama-nos de um modo mais íntimo.Reconhece quem já não somos. Traz-nos até nós.

sábado, 29 de maio de 2010

AS LÁGRIMAS DO MEU PAI - JOHN UPDIKE

Contracapa / Sinopse: «Os últimos contos escritos por Updike, publicados apenas após a sua morte. Uma obra bela e comovente, na qual o autor revisita os lugares da sua infância a partir da posição privilegiada da velhice.
Em O Passeio com Elizanne, velhos amigos retomam o contacto num reencontro de antigos alunos e um deles medita: “o que quer dizer esta enormidade de termos sido crianças e agora sermos velhos, a morar na porta ao lado da morte.”
No conto O Copo Cheio, o protagonista descreve de um modo pesaroso os rituais da velhice. Antes de se deitar, ergue o seu copo de água e “brinda ao mundo visível, mandando o seu iminente desaparecimento à fava”.
Em Variedades da Experiência Religiosa, um idoso de visita à filha em Brooklyn Heights vê desabar a Torre Sul do World Trade Center e a sua visão de Deus é alterada para sempre.
Nestas histórias memoráveis, Updike apela vezes sem conta ao sentimento, dando palavras ao que tantas vezes fica por dizer. É simultaneamente espirituoso, devastadoramente atento, comovente e, claro, um contador de histórias consumado. Esta é uma colectânea que será admirada e estimada.»
Um livro de contos a não perder é este do norte-americano John Updike. As Lágrimas do meu pai reúne os últimos contos que o escritor escreveu, comprovando a sua mestria. Deixo um excerto de muitos que, como podemos ler na contracapa, valem a pena ler:
"Neste quarto de hospital excessivamente enfeitado, Andrea parecia mais nova, forte, eficiente, graciosa; David orgulhava-se dela. Era cativa de uma outra tribo, de um outro estado que não a Pensilvânia.
Mamie tentou falar-lhes acerca do seu sofrimento.
-Por vezes, sentia-me um pouco impaciente com o Senhor, mas depois tive vergonha de mim própria. Ele não nos faz sofrer mais do que a força que nos dá para aguentar.
Na Pensilvânia teista, percebeu David, as pessoas desenvolviam filosofias. Onde ele vivia actualmente um ateimo irresistível deixava que sofressem com o estoicismo tácito, recessivo dos animais. Quanto mais inteligentes fossem, menos tinham a dizer in extremis.
Mamie continuou:
- Tenho andado a reler Shirley MacLaine, onde ela diz que a vida é um livro e é nosso dever descobrir em que capítulo está. Se este é o meu último capítulo, tenho de o ler dessa forma, mas, sabem, aqui deitada, tenho tido muito tempo para pensar e... - no seu rosto largo, afável, quase tão pálido como a almofada, os olhos azuis lacrimosos hesitavam tornando-se vivos e mordazes.- Acho que não e - concluiu ela, corajosamente. Até mesmo acamada era professora, sabendo mais do que a assistência e desejando transmitir a lição, em consonância com o hábito de toda uma vida."

in O Passeio com Elizanne, p.39

sexta-feira, 28 de maio de 2010

RUNAWAY - THE NATIONAL

Cedem os arcos, as madeiras estalam, caem paredes...Não há literatura.

LITTLE FAITH - THE NATIONAL



Uma das músicas do novo álbum dos The National (High Violet)que derruba paredes e portas da minha casa... Desperta emoções em toda a arquitectura da razão. Avança até à rua e mete-se no interior do meu carro sem que se dê conta, perpetuando o sonho para além de qualquer viagem . A voz lindíssima de Matt Berninger trancada à chave, penetra estofos e afasta o vento forte dos vidros.Agora entendo por que Freud recusava a música... admitindo que ela é tudo aquilo que transtorna (e transforma) as pessoas sem uma explicação racional... não é para todos. É para quem gosta de sonhar. O caso dele será outro, não achas? Pois sempre esperou que os outros sonhassem para poder compreender tudo. Ou quase tudo, até mesmo as marcas que a música deixa quando passa.

QUE CAVALOS SÃO AQUELES QUE FAZEM SOMBRA NO MAR? - ANTÓNIO LOBO ANTUNES


"A acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros.
A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros.
Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer; João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga.
Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte.
E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos."

in nclivros.wordpress.com

Um excerto carregado do estilo deste autor (arrastando poesia na sombra dos cavalos, dos espaços de um passado distante, dos objectos, das pessoas que ama, enfim, das recordações que tornam possível toda a história):
-Tu

embora haja momentos, eu cá me entendo, em que ao meter o prato na máquina penso que, penso que gostava de companhia, isto é o prato gostava de companhia que se nota pelo modo como pinga, eu não preciso, cavalos e cavalos entre as roseiras, quando me levavam à praia imaginava-os na linha das ondas fazendo sombra no mar, lá estava a sombra mais densa que as algas, não navios, não penedos, não pássaros, cavalos, o cavalo do meu pai com a aba do chapéu a escondê-lo e a seguir eu na garupa a agarrar-lhe o casaco hesitando se o meu pai o cavalo ou a pessoa, na dúvida de quem era filha, os empregados

-A sua filha senhor

e vai daí é ao meu pai que pertenço dado que os empregados não se enganavam nos garraios, recitavam de cor as famílias, as descendências, os laços, o que acontecerá à casa de Lisboa e à casa da quinta quando a minha mãe morrer, o cabelo até já meio defunto aliás, ia dizer poeirento mas não digo, ia dizer não nascido no interior da pele, colado a ela mas não digo, não digo aos olhos quase cegos, para quê, digo que as rosas floriram sozinhas, os objectos tornando-se coisas eles que por enquanto fervem, respiram e não me esqueço de vocês descansem, a concha com as iniciais da minha mãe no círculo da madrepérola da tampa e uma moeda para um lado e para o outro dentro, quando o meu pai discutia com a minha mãe apanhava a concha da cómoda, agitava-a e a moeda a cantar, nunca a poisava no sítio e por mais que tentasse nunca acertava com o local exacto, demasiado à esquerda, demasiado à direita, girava-a no sentido dos ponteiros do relógio, no sentido contrário, um grau ou dois, e não nunca, recuava a verificar o resultado

( ...)


Life is like riding a bicycle.
To keep your balance you must keep moving.

Albert Einstein

terça-feira, 25 de maio de 2010

EDOARDO SANGUINETI

Para lembrar o poeta italiano falecido recentemente, Edoardo Sanguinetti, uma frase sobre a sua poesia:

"Toda a minha obra poética é uma escrita contra o esquecimento"


“Nascido em Génova, em 1930, o seu nome destaca-se entre os mais importantes poetas, autores de peças de teatro, críticos, romancistas, ensaístas e activistas italianos. Sanguineti passou também pela política, ao ser deputado independente pelo PCI entre 1978 e 1983.

Indicado como um dos maiores especialistas em Dante foi professor de Literatura nas universidades de Turim, Génova e Salerno. Enquanto activista, foi um dos fundadores do controverso Grupo 63, onde a poesia experimental explorava o que considerava ser a “dissolução” da linguagem quotidiana. Os jogos de palavras por que era conhecido levaram a “Laborintus”, o seu primeiro livro de poesia publicado em 1956, e a várias outras obras.


Afirmando-se como “o poeta mais patético do século XX”, escreveu poemas até 2004 e após o fim da sua carreira académica, em 2000, passou a dedicar-se à militância da esquerda radical, prosseguindo, no entanto, com a escrita.”

In http://www.publico.pt/

Este poeta e intelectual, crítico e ensaísta foi um dos teóricos mais importantes do "Gruppo 63", o movimento cultural que revolucionou nos anos 60 a literatura italiana, juntamente com Umberto Eco, Nanni Balestrini, Alfredo Giuliani e Elio Pagliarani .

Um poema com tradução de Maurício Santana Dias:

[em ti dormia como um fibroma enxuto...]

em ti dormia como um fibroma enxuto, como uma tênia magra,
[um sonho;
agora pisa o pedrisco, agora espanta a própria sombra; agora grita
deglute, urina, tendo sempre esperado o gosto
da camomila, a temperatura da lebre, o rumor do granizo,
a forma do teto, a cor da palha:
......................sem remédio o tempo
voltou-se para os seus dias; a terra oferece imagens confusas;
saberá reconhecer a cabra, o camponês, o canhão?
não estas tesouras realmente esperava, não esta pera,
quando tremia naquele teu saco de membranas opacas.

Desta vez com tradução de Egito Gonçalves:

1.

falemos, por favor, dos prazeres da vida, por uma vez (disse eu
à mulher de Van Rossum, na segunda-feira às 11 horas): (que é alemã de Munique,
realmente, com menos de 30 anos, creio, branca de pele como clara de ovo): e o primeiro
prazer é o de penetrar, evidentemente: e depois, para mim, dormir ao sol (como dormia agora,
disse eu, antes de ela chegar: torso nu como podia ver, e pés
descalços, etc.): e o terceiro é beber vinho (francês, se possível, como aquele
que bebemos no sábado com Berio, e também na sexta-feira em Roterdão e aqui):
(e concluí que o paraíso será penetrar ao sol, talvez encharcados de Saint-Emilion):...

2.

Ensinei aos meus filhos que o pai foi um homem extraordinário: (poderão
contá-lo assim a qualquer um, um dia, se o quiserem): e depois que todos
os homens são extraordinários:
e que de um homem sobrevivem, não sei,
pelo menos umas dez frases, talvez (juntando tudo: os tiques,
os ditos memoráveis, os lapsos):
e isso nos casos afortunados:


Para terminar deixo uma amostra do seu Alfabeto Apocalíptico:


VILLA-MATTAS

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
VVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVVV
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

Soube no Diário Volúvel de Vila-Matas, entusiasmada como sempre que sei sobre os livros que qualquer escritor que aprecio tem vontade de ler, os títulos dos livros que ele tem (ou antes teve, naquela ficção) a intenção de ler .

« No meu caso, não costumo ter livros na mesinha-de-abeceira, mas há vários numa mesinha da sala. Acabam sempre por ser lidos convenientemente. Anoto o autor e o título de alguns que hoje estão na mesinha:
- Giorgio, Agamben, Profanaciones.
- Cristina Fernandez Cubas, Parientes pobres del diablo.
- Laurence Sterne, Viaje sentimental.
- Pierre Michon, Cuerpos del rey.
- Julien Gracq, Leyendo escribiendo."

Comento que até pelas referências bibliográficas que atraem Villa-Matas concluo que ele é um grande escritor e antes disso um verdadeiro cisne (como disse Jorge Luis Borges) da leitura...

domingo, 23 de maio de 2010

PHRASES FOR THE YOUNG - JULIAN CASABLANCAS

Um fim-de-semana com o verão mesmo à frente dos olhos e o último álbum a solo de Julian Casablanca. É impossível não ir à praia, é impossível não querer dançar muito...de frente para o mar. Espero que também tu gostes e o teu olhar dance com o teu P.:

sábado, 22 de maio de 2010

DIÁRIO VOLÚVEL - ENRIQUE VILA-MATAS

Este diário literário é um livro híbrido em que se sente a tensão constante que a leitura e a entrega à escrita provocam no narrador. Adorei a capa (como te confessei, Anabela) em que Vila-Matas nos vira as costas, deixando desde logo antever o seu cariz fictício-confessional... recusa-nos assim o direito à sua verdadeira identidade, desta forma tão original. Onde está o rosto como nas comuns capas de diários? Os olhos nos olhos, de pupilas dilatadas de pretensa sinceridade universal?... No entanto, conta-nos como ninguém inúmeras páginas de experiências de viagens, de reflexões íntimas sobre os sítios por onde vai passando, sobre as casas, os quartos de hotel, as ruas, os cafés, os livros de autores que leu como pequenos universos, ... uma delícia a voz deste autor que, uma vez mais, se mostrou capaz de escrever e emocionar como poucos.





"Este livro, pretenso diário, baseia-se no caderno pessoal de Enrique Vila-Matas. Trata-se de um diário literário com origem na leitura, uma obra escrita desde o próprio centro da escrita.
Combina os comentários sobre livros lidos com a experiência e a memória pessoal, e vai propondo o desaparecimento de certas fronteiras narrativas e abrindo caminho para a autobiografia ampla, sempre na busca de que o real seja visto como espaço idóneo para albergar o imaginário e assim romancear a vida. Diário Volúvel não se afasta, de resto, dos procedimentos literários mais habituais em Vila-Matas, onde as diferenças estilísticas entre livros de ficção e colecções de ensaios são cada vez menos relevantes e mais fieis a uma feliz linha de literatura híbrida e fragmentária na qual os limites se confundem sempre e a realidade baila na fronteira com o fictício, e o ritmo apaga essa fronteira. (...)"

O excerto (das moscas) prometido e mais alguns que valem bem a pena:



  • “De novo na esplanada do café de Perec, espero, em vão como sempre, que passe Catherine Deneuve, que vive na praça. Mas, uma vez mais, ela não aparece. Surpreende-me, um pouco mais tarde, ler na revista Lire que Vargas Llosa também vive nessa praça, tem um dúplex num edifício do século XVIII: «Neste bairro, sinto-me como em casa. É um bairro muito literário. Umberto Eco também vive na praça. Há quinze anos que espero ver Catherine Deneuve, mas ela nunca aparece.»
    Nesse momento, aparece Deneuve. Fico mudo de surpresa e pergunto-me se, durante um momento, Deneuve não foi «o que se passa quando não se passa nada».”



    Sophie Calle, Fiction

  • «E Sophie Calle? aceitei a sua proposta de lhe escrever uma história que ela depois procurará viver. Prometi-lhe no Café de Flore. E umas horas mais tarde voltei a prometer-lho, desta vez mentalmente, no meio dessa maravilhosa estação de correios que fica na rue Litré, na esquina com a rue de Rennes: estação de ambiente descontraído, potente aquecimento central, cordialidade, e hoje, ainda por cima, com Billie Holliday como portentosa música ambiente. Digam o que disserem, a França é fantástica.»

    «As moscas são todas diferentes, mas são tão parecidas entre si que há quem acredite que , na realidade, só existiu uma mosca em toda a história do universo. Nunca conheci melhor especialista em insectos do que Augusto Monterroso, que escreveu em certa ocasião: «A mosca que hoje poisou no teu nariz é descendente directa da que ficou parada no nariz de Cleópatra.» O mundo das moscas sem lei atraiu-o sempre e planeou uma antologia universal sobre esse emaranhado universo. Finalmente, acabou por abandonar o projecto, porque viu que o volume teria de ser forçosamente infinito. Mas em Movimiento Perpétuo ofereceu aos seus leitores uma pequena mostra da história mundial das moscas. Movimiento Perpétuo começava assim: « Há três temas: o amor, a morte e as moscas.» Um categórico início para um livro inclassificável, escrito muito antes de haver tantos livros híbridos ou inclassificáveis, como agora. Nele, Monterroso ziguezagueia entre um e outro género, passa do ensaio ao conto, e deste à digressão ou ao divertimento. O ziguezaguear está ao nível do melhor voo da melhor mosca mundial. Os diferentes fragmentos estão unidos por citações literárias em que as moscas têm o seu protagonismo. Não há um único escritor profundo que nunca tenha dito qualquer coisa sobre as moscas. Assim, temos, por exemplo, Ludwig Wittgenstein, que escreveu em Investigações Filosóficas: «O que é que nos propomos com a filosofia? Ensinar a mosca a sair do frasco.» Sobre os mosquitos escreveu-se menos. Quem melhor se aproximou deles foi um escritor da sua mesma espécie, um escritor-mosquito, Ramón Gómez de la Serna: «Ainda bem que os mosquitos não se lembraram de tocar saxofone.» No Verão as moscas – que não costumam falar com os mosquitos – reúnem-se em termas, apartamentos e hotéis. No seu esmerado concerto, bailam à meia-noite. Ou atacam, sem unhas. O zumbido da sua música é inconfundível. Marcel Proust dizia que elas compunham pequenas sinfonias que eram como a música de câmara do Estio. Escrevo no Hotel Charleston, de Cartagena das Índias, frente ao Pacífico e sitiado por moscas tropicais, rodeado por um mundo alucinante de moscas sem lei. «Alguma vez ouviu as moscas tossir?», perguntavam os irmãos Grimm num conto que li quando era criança e cujo título esqueci, mas não aquela pergunta que me tem acompanhado sempre me persegue agora, aqui na esplanada do Charleston, enquanto uma mosca me zumbe à orelha e tenta poisar no meu nariz. Uma enorme chatice, até que começa a afogar-se, imprevisivelmente, num sumo de tomate. Acabo com ela como um criminoso, mato-a com toneladas de sal e pimenta. Não sou Cleópatra, digo para comigo, satisfeito. A mosca morreu às doze e cinco da manhã.


  • "Na verdade (dizia o doutor), o tempo que passamos fora é delicioso e, ao mesmo tempo e de certo modo, instrutivo; mas parece ausente da nossa existência substancial e autêntica e nunca se liga bem a ela. Para o Doutor Johnson, os que desejam esquecer ideias dolorosas fazem bem em ausentar-se durante um tempo, mas só podemos dizer que cumprimos o nosso destino no lugar que nos viu nascer. Por isso, gostaria muito de passar o resto da minha vida a viajar pelo estrangeiro, se noutro lugar pudesse pedir emprestada outra vida, para depois a passar em casa."

Enrique Vila-Matas, Diário Volúvel, Ed. Teorema


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Kadinsky, Céu azul


"A poesia é a emoção expressa em ritmo através do pensamento, como a música é essa mesma expressão, mas directa, sem o intermédio da ideia"



Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Ed. Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa , Ática, 1966

domingo, 16 de maio de 2010

EL MONO GRAMÁTICO - OCTAVIO PAZ

Deste livro considerado uma vasta reflexão e um poema em prosa - uma das obras mais importantes do poeta Octavio Paz - destaco uma passagem em que o narrador discorre em torno do sentido da linguagem e das suas relações com a realidade.
Acho completo arrebatamento o que ele nestas poucas linhas defende: o real só existe porque as palavras o nomeiam:


"(...) entre mis labios el árbol desaparece mientras lo digo y al desvanecerse aparece: míralo, torbellino de hojas y raíces y ramas y tronco en mitad del ventarrón, chorro de verde bronceada sonora hojosa realidad aquí en la página:
míralo allá, en la eminencia del terreno, míralo:
opaco entre la masa opaca de los árboles, míralo irreal en su bruta realidad muda, míralo no dicho:
la realidad más allá del lenguaje no es del todo realidad, realidad que no habla ni dice no es realidad; (...)"
Octavio Paz, El Mono Gramático, Biblioteca de Bolsillo, Seix Barral, p. 52

CORRESPONDÊNCIA - FERNANDO PESSOA

Uma carta de Pessoa a Mário de Sá-Carneiro que apieda qualquer leitor que o adore. Aqui encontrei tão exposta a tragédia interior que lhe dá sentido à escrita. Aqui pousei uma grande tristeza minha por ter, de novo, como certo um sofrimento humano atroz que o retrata dentro e fora da literatura, como o mesmo ser.

Lisboa, 14 de Março de 1916

Meu querido Sá-Carneiro:

Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental — uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto — que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá, e é esta a razão intima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Marco, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.

No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto, e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.

Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do «Marinheiro» ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.

Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as cousas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena — cheia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.

Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar. Pode ser que se não deitar hoje esta carta no correio amanhã, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no «Livro do Desassossego». Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.

As últimas notícias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.

Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.

De que cor será sentir?

Milhares de abraços do seu, sempre muito seu

Fernando Pessoa

P. S. — Escrevi esta carta de um jacto. Relendo-a, vejo que, decididamente, a copiarei amanhã, antes de lha mandar. Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histeroneurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si próprio que dele são tão características...

Você acha-me razão, não é verdade?


Fernando Pessoa, Correspondência (1905-1922), ed. de Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999

quinta-feira, 13 de maio de 2010

LAMA - ROSA MARIA MARTELO


O que faz um fotógrafo de nuvens e de estrelas, neste dia de chuva, de temporal desfeito, quase deitado no chão, fotografias espalhadas em volta, no meio da lama? Há quem se aproxime para o ajudar, quem apanhe as imagens mais sujas e lhas devolva limpando-as com a ponta do casaco. Mas, uma a uma, ele volta a colocá-las onde estavam, tão meticulosamente como se as dispusesse num desses tabuleiros que usa para a revelação dos negativos. E, esfregando-as contra as pedras da rua, desenha mais sulcos no papel fotográfico - riscos, manchas negras. «As belas fotografias», digo-lhe, desolada, enquanto procuro salvar ainda as menos atingidas. «Manchadas, estragadas. Porquê tudo isto? Eram tão leves as tuas nuvens, foram tão demoradas de fotografar na exacta medida de luz e de sombra». Molhado até aos ossos, o fotógrafo celeste parece estranhamente feliz com a sua obra. «Agora estão certas», diz. «Continuam tão belas quanto eram, mas têm também aquela margem de lixo e de desordem sem a qual nada pode ser verdadeiramente deste mundo».

in RESUMO, a poesia em 2009, Ed. Assírio e Alvim

INTO THE WILD

Os Passos em Volta - Herberto Helder


"O lugar em que penso é difícil, sempre difícil.

Ao norte existe o rio Escalda. De lá se parte, chega-se ao mar. Já me disseram que a gente que nasce e vive ao pé do mar é mais pura. Penso que o mar dá uma qualidade especial à fantasia, ao desejo e à confiança. É uma propriedade misteriosa do espírito, e por ela se aprende a nada esperar, a não desesperar de nada. Talvez seja isso a inocência. Talvez só no mar nos seja concedido morrer verdadeiramente, morrer como nenhum homem pode."


in Os Combóios que vão para Antuérpia

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O PRAZER DA LEITURA

Picasso
D' O Prazer da Leitura, livro de contos, de edição conjunta da Teorema e da Fnac, publicado recentemente para comemorar o dia do livro destaco, no seu melhor, um breve excerto do texto de Gonçalo M. Tavares.
Para ti Anabela, porque estamos sempre a aprender e a apreender o que vai na cabeça dos outros através da literatura e, neste caso, com um sorriso de espanto nos lábios. Mil bjs:
"(...) há versos que existem apenas entre um homem e uma mulher, no quarto, no momento em que um finge que dorme e o outro lhe segreda ao ouvido. Ele diz um verso encostado à nuca dela e a história dessas palavras termina aí. Mas isto é um exemplo. A mulher adormeceu como nunca depois conseguiu (e dezoito mil noites permaneceu ainda viva e com sono, essa mulher). Eis o que fez um verso, um dia, e não mais se repetiu. Isto é que eu digo e afirmo.
Porque os versos não valem pelos quilómetros que percorrem; que a utilidade deles não se confunda com a de um carro. Há versos que nem um metro avançam e são, afinal, lugares espantosos para fundar uma igreja ou uma maternidade.
Mas o que falta são igrejas onde os versos sejam escutados como se escutam as palavras de Deus. (...)"
In Seis perguntas ao senhor Breton - sobre o prazer da poesia de Gonçalo M. Tavares

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mulher no deserto

à mais bela mulher do mundo...à Pat

O assobiador, Ondjaki

O assobiador: assim comparou a minha inteligentíssima Pat, o Andrew Bird ao personagem criado por Ondjaki. Obrigada doce Pat! Uma vez mais, uma mistura intrigante e quem sabe, exploviva! ...





video





«Sair assobiando, por sinal de alegria, assobiar na mata escura para espantar o medo, o assobio aprovando coisa boa, a função desta musicalidade básica é múltipla. Ondjaki – o novo fenómeno da literatura angolana – toma o assobio como ponto de partida de uma novela que incorpora, de uma maneira fugaz e intensa (como um assobio), as determinantes da condição humana: O amor, a morte, o fascínio pela arte, o humor, o mistério.

É a estória de indivíduos tangidos pelo raio do desconhecido. O assobiador aparece de repente »ao mesmo tempo que as chuvas compridas e silenciosas daquela aldeia«, transtorna as cabeças e almas das pessoas pela sua simples melodia assobiada blasfêmciamente numa missa de domingo e desaparece »vigorosolentamente a caminhar, como o fazem aqueles que estão habituados a fazê-lo.«

O tom do assobio mexe com as pessoas (e também com os animais), desperta sentimentos, desejos, ansiedades, coragens, e faz as coisas acontecer neste aglomerado de carácteres levemente esquisitos, que constitui »a aldeia« desta novela: O padre, dono da igreja e sempre apto a tomar um gole, KoTimbalo, o coveiro desempregado há anos, Dissoxi, a dona do sal, e KaLua, que anda sempre equipado de papel higiênico, porque gostava de fazer as suas »necessidades« ao ar livre.

Narrado como um filme montado em »short cuts«, O Assobiador fascina por uma escrita calma, poética e cuidadosamente trabalhada. É uma invenção, um sonho, uma alucinação serena sobre as grandes potencialidades das pequenas coisas encobertas em cada ser humano.»

Vampiro de Belgrado


Está em cena, amiguinha... Até 22 de Maio!

http//vampirodebelgrado.blogspot.com


A casa onde vivi - naquela rua
de costas virada para as ondas altas
continua de janelas muito abertas
resguardadas em cortinados frios
a desfazerem-se em danças - assobios
como se fossem o vento a passar

E quando a olho da rua que passa
parece que me vejo ao longe sentada
na soleira da porta a tremer de frio
num corpo esguio em cabelos a voar -
- como os cortinados de ventania
vejo-me à espera de um céu de estorninhos
deslumbrada da sua passagem flagrante
do desenho misterioso que abrem nas asas

consigo ao longe apanhar o meu espanto
a vogar naquele voo negro a parecer tinta
anónima na impulsão que me leva
a voar com o bando sem ninguém dar conta
sem sequer ter tido o cuidado
de antes de partir bater a porta.
" Todos os outros que, não sendo eu, me constituem, são a outra metade."
Maria Gabriela LLansol

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ATITUDE ECOLOGISTA PARA SALVAR PALAVRAS - MILLÁS

Vale a pena ler o que Millás diz a propósito das palavras. Obrigada, querida Anabela por me enviares páginas sobre assuntos que eu gosto tanto de ler e de autores que considero meus amigos. A Literatura proporciona esta coisa maravilhosa que é o diálogo entre o leitor e o(s) narrador(es) que os autores criam. Tenho feito assim muitos amigos, e Millás (nos seus registos romanescos de pendor autobiográfico) transforma-se num deles.

El escritor Juan José Millás rememoró uno de los pasajes dela Biblia para trasladar el relato a lo que le ocurre actualmente a la sociedad y asegurar que los ciudadanos de hoy están instalados en una especie de "torre de babel" en la que "nadie se entiende aunque hable el mismo idioma".

Para Millás, el hecho de que cualquier opinión por "disparatada" que sea encuentre un "nicho de respetabilidad" o que en unos días surjan miles de artículos en torno a temas aparentemente "banales" como el de las escolares que decidieron ir a clase con velo son un "ejemplo perfecto" de la Torre de Babel, "donde uno pedía un cubo y le daban un martillo".

"Es un relato que explica qué nos está ocurriendo, la diferencia en que aquí nos enteramos sólo porque hablamos el mismo idioma", manifestó el escritor valenciano, quien participó hoy en el marco de la XLIII Feria del Libro de Valladolid en la conferencia 'Las Palabras'.

En este marco, el autor de libros como 'El desorden de tu nombre' o 'El Mundo' se reconoció "pesimista de la palabra" y, haciéndose eco de anuncios aperecidos en prensa, lamentó que "lo que la sociedad tiene que comunicar hoy en tan pobre que sirve con mil palabras".

En este sentido, consideró "preocupante" la desaparición de términos antiguos, en parte debido a que pertenecen a mundos que ya no existen, y abogó por mantener una "actitud ecologista" para salvar aquellos términos de utilidad que se encuentran en desuso. "Cuando desaparece una especie animal antigua se da en las noticias, pero desaparecen palabras todos los días y no se hace nada", aseveró.

Para Millás, quien defendió el neologismo como fórmula para nombrar aquello que antes no existía, señaló que la preservación del lenguaje es tarea de todos aunque temió que ello sea un "sueño imposible" y aseguró que, en dicha tarea, los medios de comunicación "democratizan por abajo".

"Somos todos más iguales, pero también más tontos", sentenció, a la vez que apuntó al "exceso de información" existente e incidió en que "tener mucha no quiere decir tener conocimiento".

De cualquier forma, el ganador de premios como el Planeta y el Nadal indicó en clave entre nostálgica e irónica la necesidad de "extrañarse del lenguaje" así como de la capacidad de hablar para valorar ese momento "olvidado" de cuando ésta se adquiere y de la boca comienzan a salir palabras.

El propio escritor aludió a su dificultad de pronunciación para afirmar que no se puede dar por hecho que hablar es "algo natural". "Si en vez de una cosa ques es etérea salieran de la boca libélulas, escarabajos o cucarachas, prestaríamos más atención", apostilló.

quarta-feira, 5 de maio de 2010


ANTÍGONA - SÓFOCLES



Ainda mais a Norte, no Teatro de Vila Real no próximo dia 14 de Maio entra em cena uma tragédia grega, considerada a segunda mais antiga deste autor (com cerca de 1353 versos), Antígona de Sóflocles, que representa o amor fraternal através da actuação de Antígona, filha de Édipo e Jocasta.

Esta figura feminina (renascida na escrita de Sófocles cerca do ano de 421 a partir da figura mítica homónima) acompanha o seu pai Édipo no exílio, após a sua expulsão do reino de Tebas pelos seus dois filhos (Etéocles e Polinice) até à hora da sua morte.

De regresso a Tebas, os seus dois irmãos disputam o reino primeiro através de uma arquitectada guerra que não resolveu nada e mais tarde num combate entre os dois que resultou nas suas mortes. Assim, ganha o trono um tio chamado Creonte que proibe qualquer um de enterrar o corpo de Polinice, ameaçando com a morte quem o fizesse. Ao outro irmão de Antígona, Etéocles, proporcionou as cerimónias fúnebres devidas. Perante esta injustiça, Antígona tenta convencer Creonte a enterrar o seu irmão lembrando-lhe que quem não é enterrado, é condenado a vaguear cem anos nas margens do rio que leva os mortos para o seu mundo. Creonte não cede e Antígona enterra o irmão com a suas próprias mãos, pelo que é condenada por Creonte que exige que a enterrem viva. Antígona recusa a ajuda de sua irmã quando esta se oferece para ser condenada em seu lugar e a sua condenação provoca ainda o suicídio de seu noivo Hémon (filho de Creonte) e de sua mãe Eurídice, que por desgosto também comete suicídio.

A angústia está presente em todas as personagens de Antígona, que tomam uma postura interrogativa durante todo o seu percurso. Marguerite Yourcenar no século XX lembra esta figura num epitáfio a recordar: " O tempo retoma o seu curso sob o ruído do relógio de Deus. O pêndulo do mundo é o coração de Antígona."
Deixo imagens da encenação de Nuno Carinhas no TNSJ:









LIVRE ARBÍTRIO - TIAGO ARAÚJO


“escrevo esta carta no início do verão, uma mão litoral no cabelo enquanto hesito. o automóvel está estacionado à porta de casa, o resto a caminho do sul. no final hão-de restar apenas as estrias de sal sobre o dorso, a interpretação desses mapas.”

p. 42

O LUGAR DO MORTO

ao teu lado, no lugar do morto, enquanto
conduzes a conversa a uma frase sem
preparação. chegámos tarde à praia,
como a quase tudo. o vento levanta o
pó do parque de estacionamento e não
saímos do carro. não sei a resposta certa
e por isso represento mal o meu papel secundário.
limito-me a ficar em silêncio, onde
sempre me senti mais confortável.
um lugar sombrio, discreto, abrigado
e ainda assim, segundo dizem, o mais perigoso


in Livre Arbítrio, Averne, 2009


segunda-feira, 3 de maio de 2010

DOZE NAUS - MANUEL ALEGRE

A Cor do Vento
Quando o horizonte se fecha
o azul converte-se em cinzento
e o próprio mar fica da cor
do vento

Crepúsculo
Sozinho frente ao mar
busco outro sol no
sol que vai ao fundo

E há uma voz a chamar
do outro lado do mundo.

in Doze Naus, Dom Quixote


domingo, 2 de maio de 2010

Yann Tiersen e Neil Hannon - Les Jours Tristes

William Kentridge

Vale sempre a pena ouvir Yann Tiersen e mais ainda quando se faz acompanhar da voz de Neil Hannon:






Os dias tristes só existem para se tornarem mais óbvios os dias felizes. Como num piano há teclas brancas e pretas para que os dedos nunca percam o seu rumo e encontrem a música nessa alternância entre uma claridade absoluta e uma intrínseca obscuridade.

sábado, 1 de maio de 2010

OS ÍNTIMOS - INÊS PEDROSA


A D. Quixote editou o novo livro de Inês Pedrosa considerado "uma visita ímpar ao universo dos homens" conforme anuncia a elegante gravata escolhida para a capa. Uma novidade que a autora nos oferece é a narração no masculino ...

ADAM



Adam é um filme de Max Mayer estreado em 2009 sobre um rapaz de 29 anos com síndrome de asperger.
Deixo a sugestão na esperança de tornar este mundo, num mundo em que todos, sem excepção, se compreendam, mesmo na evidência das suas diferenças mais flagrantes.

http://www.youtube.com/watch?v=92U6OnVZG3U