sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A viagem da Pat

Nadir Afonso

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
Não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"
  
Pablo Neruda

2 comentários:

Rosa disse...

Adorei encontrar o teu blog.
Se eu te disser que traduz muito do que sinto, ao ler o poema, não minto.
O que nos encanta quando a juventude é tempo de encantamento com quase tudo no Mundo, pode parecer-nos estranho, quando a vida ainda nos vai fazendo ver e aprender muitas coisas.
Pablo Neruda !!! É Grande .....todos os dias.

Um beijo e parabéns.

RP

Anónimo disse...

Adorei o quadro, o poema e a lembrança. Apetece-me dizer: "Morre lentamente quem não tem uma amiga".
Mts bjs e saudades
Pat