domingo, 21 de março de 2010

As Rosas Amo dos Jardins de Adonis - Ricardo Reis

Rosa Meditativa, Salvador Dali

As Rosas amo dos jardins de Adonis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.


Ricardo Reis, in "Odes"

O poema que o Hélder nos oferece, como uma rosa:


Para a Construção da Alma


Regressemos às flores:
Cada rosa é uma hora perdida da infância.

E temos grandes viagens interrompidas
(em cada rosa beijaremos a boca das manhãs)

E somos um dos lugares intermináveis da noite
(cada rosa é um coração do silêncio)


E adeus. Nos encontraremos, só, em nossa ausência,
como as rosas se encontram na noite.


Vítor Matos e Sá

1 comentário:

Hélder disse...

Lembrou-me de um poema que li certa vez, não sei se o conhecíeis.
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Para a Construção da Alma

Regressemos às flores:
Cada rosa é uma hora perdida da infância.

E temos grandes viagens interrompidas
(em cada rosa beijaremos a boca das manhãs)

E somos um dos lugares intermináveis da noite
(cada rosa é um coração do silêncio)

E adeus. Nos encontraremos, só, em nossa ausência,
como as rosas se encontram na noite.

Vítor Matos e Sá