quarta-feira, 17 de março de 2010

William Kentridge - Man Turning into a Tree

Num dia cinzento e gelado  ocorreu-me deixar de desejar muito. Abstrair-me de qualquer um dos meus pensamentos mais insólitos.
Quebrar a rotina era um vício. Uma pena a cumprir. Como uma paixão que crescesse tanto que mesmo que  os outros não a entendessem, ela era óbvia. 
 Confesso que o meu corpo sempre obedeceu à fantasia que costura rente à pele. Ri-se com ela, abraça-a na sua sensualidade irrecusável. Até que um dia.
Até que um dia se escarpa. Rebenta em galhos a cabeça. Estalam abrolhos no lugar das mãos macias. E no lugar dos pés não há raízes que consigam estacar essa loucura.

1 comentário:

Hélder disse...

Quando se deixar de se desejar muito, deixar-se-á espaço para ser-se, e a plenitude estará a um passo curto de ser alcançada.