terça-feira, 16 de março de 2010

William Kentridge

      

                                                                          Sleeper Red, 1998

Que pena a nossa língua não conhecer a palavra dormidor. 
O dormidor de William Kentridge deixa o seu sonho invadir o real de vermelho. Sangra por fazer do dormir quase um ofício, um meio de se encontrar fora dos limites do real. A realidade, essa apoderou-se do seu corpo,  cravando-lhe na pele os tons do cimento urbano, dos jornais cheios dos relatos dos acontecimentos mais trágicos, das datas, das horas, dos nomes próprios que já não interessam e se rasgam para pôr fora. O dormidor faz sangrar tudo o que o cerca só porque quer outro mundo, um mundo em que nunca haja vontade de dormir, onde o sonho se viva de olhos bem abertos.

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Obrigada ao nosso leitor e ao seu esclarecimento tão rápido (Que descuidada eu fui!!!):

dormidor:

adjectivo e nome masculino
que ou aquele que dorme muito; dorminhoco.
(Do lat. dormitóre-, «id.»)
in http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/dormidor

5 comentários:

Anónimo disse...

Que não é palavra muito usada, não é, mas que existe, existe:

dormidor
adjectivo e nome masculino
que ou aquele que dorme muito; dorminhoco
(Do lat. dormitóre-, «id.»)

in http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/dormidor

Anabela disse...

Grande amiga!

Quero ser uma dormidora e viver um mundo de sonho acordada!
Adorei o sangramento que lanças no teu texto! Escreves magnificamente, como sempre!
Um agradecimento especial ao leitor anónimo pelo esclarecimento! Obrigada e aparece sempre...


Para ti amiguinha, os beijos de sempre

Anabela

Leitores SOS Murça disse...

Obrigada, leitor anónimo, pela gentileza e pelo endereço a que se pode chegar tão rapidamente para testar qualquer palavra. Na verdade, depois de publicar a mensagem, passou-me pela cabeça que a palavra pudesse existir no nosso dicionário mas, não fui confirmar, descuidada... No português do Brasil é provável que se ouça bastante esta palavra pois eles são bem mais despudorados do que nós e fazem da língua portuguesa uma pastilha elástica que esticam e encolhem a toda a hora, só para sentirem o prazer de dizer e de ouvir e de ler qualquer coisa que sabem que é deles.

Leitores SOS Murça disse...

Linda amiga,

sangrei quase tanto como o dormidor de Kentridge quando vi que afinal a palavra existia... Que linda palavra nós temos e eu, ignorante, nem dei conta disso...até hoje ... e até invejei os ingleses! Mil bjs

Hélder disse...

De nada, só fiz o que me competia. Na altura esqueci-me de iniciar sessão, mas o propósito entendeu-se.