segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Sr. M. Tavares em "O Senhor Juarroz”: DUAS CADEIRAS


O SR JUARROZ ESTAVA A PENSAR QUE ENTRE UMA COISA DO MUNDO E OUTRA HÁ UM INTERVALO. MAS TAMBÉM É POSSÍVEL EXISTIR UMA ÚNICA COISA ENTRE DOIS INTERVALOS.
A imagem não traduz de modo algum a entidade ÁTOMO. Retomo a Teoria corpuscular da matéria, assente na ideia de corpo minúsculo, pedra base de tudo o que nos rodeia. Essa Teoria, proposta no século XIX por Dalton com base no atomismo grego, assenta na premissa de que os átomos estão em permanente agitação e que entre os diversos átomos existem espaços vazios! Ora, esses espaços não têm nada, teoricamente! O vazio!
Se atentarmos às palavras do Sr Juarroz, talvez entre dois vazios existam átomos! Que estranho comportamento o dos átomos! Para além de nunca se mostrarem (nunca conseguiram ser vistos!) também não param e permanecem numa dança eterna! Isto leva-me à Mecânica Quântica e à Espuma Quântica (espécie de espuma de cerveja!): poderemos imaginar o estado atómico desta forma? É impressionante!
O Sr Feynman, eminente físico do século XX galardoado com o Nobel da Física, dizia nas suas conferências que se de repente o mundo perdesse todo o conhecimento podendo apenas resgatar uma única Lei, aquela de que não poderia abdicar nunca seria a Teoria Atómica!

1 comentário:

Leitores SOS Murça disse...

Fazes-me compreender tão bem a importância da Física que me passava ao lado antes de seres minha amiga!
O vazio, por oposição a tudo o que é palpável, existe tanto como tudo o que tem volume e por ele é delimitado. O vazio interessa-me como um quadro, uma escultura, um texto geniais... O vazio empurra a poesia, mesmo não contendo a agitação dos átomos. O vazio é a não palavra, é o espaço intacto de uma obra de arte. O vazio existe porque não existe, é um paradoxo na literatura.O vazio é um intervalo entre duas coisas que só são duas coisas porque ele é presença.Mas também pode existir uma única coisa entre dois intervalos - entre dois vazios pode nascer um corpo que nos acorda do nada como uma única nuvem que se desenha o imenso céu.