sábado, 5 de Setembro de 2009

Duas mulheres correndo na praia, Picasso

A pintura que escolheste para o nosso perfil é perfeita! Como é que nunca me ocorreu colocar esta imagem que ilustra deliciosamente a nossa amizade? Na verdade andava insatisfeita com as sucessivas escolhas e não sabia porquê. Agora reconheço que só poderia ser esta a imagem!
Somos duas amigas, sonhadoras, amantes da vida, à procura do infinito, de olhos postos nas estrelas e com o mar como cenário! Ainda percepciono umas nuvens frágeis... E a terra que pisamos, repara bem, agracia os nossos pés! Apesar de tudo, é bom viver...
Vou escolher um poema para ti, também de um Pablo, este Neruda de apelido, por saber que foi amplamente traduzido pelo teu tio Pignatelli... (fiquei radiante com a tua escolha...)


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

1 comentário:

Leitores SOS Murça disse...

Bela Ana Bela,
compreendeste tão bem a razão do quadro do nosso perfil que não tenho palavras. Apenas acrescento que a ti te pertencem o céu com as nuvens e a mim o mar. A areia, o desert é das duas...
Resolvi fazer-te essa surpresa no momento em que arrumava as minhas estantes do escritório e me deparei com a lindíssima capa do livro "Sinfonia em Branco" de Adriana Lisboa que exibe, sem qualquer caixilho,"Duas Mulheres correndo na praia" de Picasso.Pensei que podiamos ser precisamente aquelas personagens: tu olhas o teu céu na esperança de comprendederes o universo por entre as nuvens que te acenam figuras disformes, e eu, sedenta, inclino-me instintivamente para o mar, cheio de azul a chamar-me,e vejo a verdade subaquática, a mesma que tu viste por entre as volúveis nuvenzinhas.

Adoro o poema de Neruda que me ofereceste um dia via e-mail. O amor nasce assim como ele descreve, sem darmos por isso, sem repararmos naquele que um dia, devido a um vento forte ocasional, veio parar mesmo perto da nossa boca, a respirar o mesmo ar. Gostei da imagem colorida e indecifrável que escolheste para acompanhar a poesia.
Adorei o texto do Le Clézio, foi uma grande surpresa, tanto pela qualidade da escrita como pela parte lateral do blog que ocupa. Fiquei pasmada e não faço a mínima ideia de como isso aconteceu... Bjs estarrecidos.