quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A escola de hoje...




Continuo a intervalar as minhas leituras (agora bem raras) com a edição do Jornal de Letras do qual, confesso, tornei-me leitora compulsiva. Na edição desta quinzena, e no caderno dedicado à educação, li um extracto do diário de Sebastião da Gama, enquanto professor estagiário nos finais dos anos 40, e pensei: que texto tão actual. Não resisto, querida Pat, a colocá-lo aqui, pois inevitavelmente faz-nos reflectir.

“Aulas más são as aulas que os rapazes não querem ouvir. Mas então - poderia eu defender-me – que culpa temos nós de os rapazes serem barulhentos, desinquietos e desatentos? É verdade que às vezes a culpa não é nossa: é toda deles, a quem mais apetecia estar na rua que na escola. Mas para isso justamente é que serve o professor. Ser bom professor consiste em adivinhar a maneira de levar todos os alunos a estar interessados: a não se lembrarem de que lá fora é melhor. E foi o que ontem não consegui”

3 comentários:

Leitores SOS Murça disse...

Tens razão. Sebastião da Gama já era um professor moderno, que levava em conta o bem estar do aluno primeiro do que tudo.Alguns excertos desse diário surgem nos manuais de Português e são sempre bem recebidos pelas turmas.
Também eu, como ele, tenho sérias dificuldades em ser adivinha!Esta componente de formação não consta nas cadeiras pedagógicas dos cursos direccionados para o ensino nos currícula universitários... Que pena eu tenho... Era muito mais fácil ser professor no tempo das velhas pedagogias, em que não era o aluno o centro da aprendizagem, pelo que nos dizem as teorias.
Na minha opinião é muito difícil ser professor hoje (já para não falar de ser professor hoje com o panorama dos falsos cursos Profissionais e CEFs, EFAs e outras siglas esquisitas que chegarão futuramente...
O problema é que nos são exigidas um sem número de competências que se sfastam do motivo central do ensino-aprendizagem e que antigamente estavam a cargo dos pais encarregados de educação e do rigor experimentado nas escolas quanto à parte da "moral" dos alunos.
Tal como Sebastião da Gama também eu acho que um bom professor tem que ser um excelente comunicador, independentemente da disciplina que leccione. Isso nem sempre se consegue, ser comunicativo ao ponto de atingir os alunos, mesmo com as matérias mais aborrecidas que se possam imaginar. Tenho pena de termos que ser nós a darmos a cambalhota, arriscando partir o pescoço a qualquer instante, em vez de cultivarmos na sociedade a ideia de que os alunos têm que saber comportar-se, mesmo nas situações de aprendizagem que lhes pareçam mais "secantes"... Como ouço imensas vezes darem como desculpa da falta de atenção, do desinteresse, da apatia geral, a seca a que são submetidos, fico com a sensação que nós, professores somos realmente terrivelmente mal educados, indisciplinados até...obrigarmos os alunos a ouvirem matérias que os podem tornar a qualquer instante revoltados e insuburdinados é realmente grave. Eu, que tento dar tudo nas minhas aulas, penso que pouco temos a fazer a não ser conquistá-los, a eles, alunos desmotivados sem culpa alguma, de qualquer maneira.Não haverá cura mais rápida para isto?

Leitores SOS Murça disse...

Onde se lê "insuburdinados" deve imaginar-se que lá está "insubordinado", não vá alguém pensar que hoje os Srs professores dão erros, essa cambada...Ainda bem que reli o texto a tempo!Bjs, querida Anabela.

anabela disse...

querida amiguinha

não podia estar mais de acordo contigo! Se a família fizesse a sua parte tenho a certeza de que a maioria das nossas crianças e jovens gostariam e interessar-se-iam pela escola porque os professores nunca tiveram tantas habilitações e sensibiladade como hoje (parece-me).

Muitos beijos doce amiga