domingo, 6 de setembro de 2009

O último tango em Paris

Revi ontem à noite o Último Tango em Paris, filme de culto, escandaloso na época em que estreou (1972, data em que eu nascia para o mundo). Bertolluci foi ousado, Marlon Brando reconhecido como tendo conseguido o melhor papel da sua carreira e Maria Schneider esteve fabulosa e estonteante! A banda sonora ainda hoje é apreciada e disso é prova a quantidade de artistas que revisitam e readaptam este tema.
A polémica na época prendeu-se com os arrojados nus da actriz principal e com as cenas eróticas mostradas no filme. O cinema francês da Nouvelle Vague invadia o grande ecrã e nunca como na década de 70, se produziu e acolheu tão bom cinema. O cinema europeu sempre foi mais profundo face ao norte-americano. Esta é uma opinião pessoal, isenta de cientificidade ou objectividade!
A história revela alguma complexidade por tratar-se de uma relação entre um homem maduro e sofrido, que perdeu recentemente a mulher em condições pouco claras, e uma jovem invulgar de vinte anos. A paixão é acesa, intensa, devoradora de sentidos e ela possui apenas uma certeza: é aquele o homem, com quase cinquenta anos, que ela ama. Ama-o para além de tudo, para além das suas cãs... A complexidade reside aí porque está noiva de um jovem da mesma idade, charmoso e pleno de vida. Porquê, então, amar loucamente aquele ser tão amargo, amá-lo até à loucura, se preciso for? O final deixa muitas dúvidas mas é uma poderosa reflexão para o cidadão vulgar que entende que a vida correcta é aquela que segue uma linha condutora e obedecendo a determinados cânones: estudar, ter uma profissão socialmente aceitável, casar, ter filhos e depois esperar pelos netos! Quem disse que assim tinha de ser?
Filme magnífico, de facto...
Seguem em baixo (continuo com problemas em colocar os vídeos...) os links para o trailer do filme:
e para a banda sonora, recomposta pelos Gotan Project de forma estupenda...

1 comentário:

patricia disse...

Tudo o que se passa em Paris me interessa minha querida amiga... Tal como do filme Revolutionary Road, também eu acho que lá as pessoas vivem a sério. Talvez seja a seriedade com que os franceses tentam reflectir sobre a complicada alma humana que faça dos seus filmes, filmes brilhantes. Eu tanto como tu prefiro mergulhar nas profundezas do ser humano, nas palavras, nos comportamentos insuportavelmente incompreensíveis. Vi este filme há muitos anos, ainda adolescente, com um certo mal estar em casa dos meus pais. Um amigo da minha irmã ofereceu-o na "festa de natal de amigos" ao meu cunhado, no ano passado. Vou seguir os teus passos e revisitar esta história do cinema que tanto foi badalada na altura pela ousadia de algumas das suas imagens. Acredito que o filme oferece muito mais do que isso, agora que mo expressas tão belo... Procurarei beleza tentando esquecer o charmoso e irresistível Marlon Brando... Bjs