quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O homem de génio por Pessoa


Ana Bela Ana,

para responder à questão da Clara Ferreira Alves nada melhor do que este texto GENIAL do próprio Pessoa.


"O homem de génio é um intuitivo que se serve da inteligência para exprimir as suas intuições. A obra de génio — seja um poema ou uma batalha — é a transmutação em termos de inteligência de uma operação superintelectual. Ao passo que o talento, cuja expressão natural é a ciência, parte do particular para o geral, o génio, cuja expressão natural é a arte, parte do geral para o particular. Um poema de génio é uma intuição central nítida resolvida, nítida ou obscuramente (conforme o talento que acompanhe o génio), em transposições parciais intelectuais. Uma grande batalha é uma intuição estratégica nítida desdobrada, com maior ou menor ciência, conforme o talento do estratégico, em transposições tácticas parciais. O génio é uma alquimia. O processo alquímico é quádruplo: 1) putrefação; 2) albação; 3) rubificação; 4) sublimação. Deixam-se, primeiro, apodrecer as sensações; depois de mortas embranquecem-se com a memória; em seguida rubificam-se com a imaginação; finalmente se sublimam pela expressão. "


Fernando Pessoa, in "Ideias Estéticas - Da Literatura"

1 comentário:

Leitores SOS Murça disse...

doce amiga

de facto, esta reflexao ´e genial!O pessoa tem o poder de partilhar, pelas palavras, o quotidiano dele.. e que no fundo e o mesmo de todos...

contudo nao concordo com a distinaçao que ele faz entre ciencia e arte ate porque a ciencia acaba por ser uma forma de arte embora recorrendo a um metodo distinto. Na ciencia esta presente, tal como na arte, a imaginaçao, o descontentamento, o questionamento... O proprio Fernando Pessoa associa a arte a alquimia ("ciencia " primeira que deu origem a quimica)...

Escolha genial...
Muitos beijos amiguinha